Libertação de soldado não deve integrar trégua, diz Hamas

Grupo afirma que avalia a proposta de cessar-fogo de 18 meses apresentada pelo governo israelense

Agência Estado e Dow Jones,

26 de janeiro de 2009 | 11h23

A libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado pelo Hamas em 2006, não deve fazer parte do acordo para encerrar o cerco à Faixa de Gaza, disse Ayman Taha, porta-voz do Hamas, após conversações no Cairo, onde o grupo disse considerar uma trégua renovável de 18 meses. O soldado Shalit "é uma questão separada e deve ser tratado apenas sob o ponto de vista de uma troca de prisioneiros", disse Taha, porta-voz do Hamas em Gaza à agência estatal de notícias MENA. "O Hamas não concorda em ligar a soltura de Shalit com a trégua e o fim do bloqueio", disse ele. Os líderes do Hamas mantiveram conversações com o chefe de inteligência do Egito, Omar Suleiman, no domingo. O objetivo do encontro foi apoiar o cessar-fogo que pôs fim a 22 dias de confrontos em Gaza e abrir as fronteiras do território, dias depois de uma visita similar de um enviado israelense. Suleiman, o indicado do Egito para as questões entre israelenses e palestinos, disse que Israel havia proposto uma trégua renovável de 18 meses. Taha afirmou que "examinaremos a proposta em detalhes e responderemos ao Egito". O plano de trégua egípcio prevê a abertura dos pontos de fronteira que estão praticamente fechados há 18 meses, a provisão de segurança da fronteira com Gaza para evitar o contrabando de armas e a retomada das conversações de reconciliação com os palestinos. O fim do contrabando através dos túneis com o Egito e a promoção de um novo acordo para reabrir a passagem egípcia de Rafah com Gaza - a única que não passa por Israel - são pontos cruciais para o sucesso das conversações de trégua. Taha disse que a questão de Rafah é "complexa e espinhosa". "Estamos abertos à presença de observadores europeus, observadores turcos e forças da segurança nacional de Gaza para abrir (Rafah) em termos temporários até a formação de um governo nacional". Sob um acordo de 2005, Rafah apenas pode ser aberta para tráfego normal se observadores da União Europeia (UE) e forças leais à Autoridade Palestina - que foram expulsas de Gaza em 2007 - estiverem presentes. O Hamas quer "finalizar a trégua, levantar o cerco e reabrir os postos de fronteira antes de se engajar numa reconciliação (nacional palestina)", disse Taha. Várias facções palestinas, dentre elas o Fatah, do presidente Mahmoud Abbas, e a Frente Popular para a Libertação da Palestina começaram a chegar ao Cairo no domingo para novas conversações sobre a trégua e uma eventual reconciliação.

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