Líbia enterra clérigos supostamente mortos por ataque da Otan

Choro, cantos e uma salva de tiros para o alto marcaram neste sábado o funeral de nove clérigos que a Líbia alega terem sido mortos por um ataque aéreo da Otan. A aliança militar, contudo, nega e diz que o prédio que atingiu era um centro de comando das forças leais a Muammar Gaddafi.

JOSE, REUTERS

14 de maio de 2011 | 16h26

A Otan está bombardeando a Líbia como parte do mandato que recebeu do Conselho de Segurança da ONU para proteger os civis diante da violenta repressão promovida por Gaddafi à revolta contra seu governo de 41 anos.

Alguns membros da Otan dizem que vão continuar até conseguir expulsar o líder líbio, que chamou a Organização do Tratado do Atlântico Norte de uma organização covarde cujas bombas não conseguirão matá-lo.

Os nove clérigos estavam entre 11 pessoas mortas num ataque a uma hospedaria na cidade de Brega, no leste do país, na sexta-feira, disse o governo. Os outros dois mortos foram enterrados num lugar diferente.

"Que Deus derrote as forças da Otan na terra, no ar e no mar", gritava uma aglomeração de umas 500 pessoas no funeral, que foi realizado perto do porto de Trípoli.

Os caixões foram carregados acima das cabeças para dentro do cemitério e lá foram abertos para mostrar o que parecia ser corpos enrolados em panos verdes e cobertos de flores, disse uma testemunha à Reuters.

"A campanha da Otan faz um insulto após o outro aos vivos e aos mortos", disse Abdulrahman enquanto assistia aos funerais.

Num comunicado, a Otan defendeu suas ações. "Estamos cientes das acusações de que houve mortes de civis durante o ataque e, apesar de não conseguirmos confirmar esse fato de maneira independente, sempre nos entristece se há mortes de civis".

O canal estatal de TV da Líbia divulgou comentários em áudio de Gaddafi na sexta-feira aparentemente destinados a desmentir comentários do ministro das Relações Exteriores italiano que disse que Gaddafi provavelmente estava ferido e havia deixado Trípoli.

"Digo aos cruzados covardes (Otan) que vivo num lugar que eles não podem atingir e onde eles não podem me matar", disse o homem na gravação com uma voz que soava como a de Gaddafi.

"Mesmo que vocês matem o corpo, vocês não conseguirão matar a alma que vive no coração de milhões", disse ele.

A Otan atacou o complexo Bab al-Aziziyah de Gaddafi em Trípoli na quinta-feira, mas o porta-voz do governo Mussa Ibrahim disse que o líder saiu ileso e estava de bom ânimo em Trípoli.

A Otan disse que conduziu 148 vôos na sexta-feira, 44 deles para identificar e visitar alvos sem necessariamente usar munição.

A rebelião contra Gaddafi já dura três meses e os rebeldes controlam Benghazi e o leste da Líbia, onde está a maior parte da produção de petróleo. Milhares de pessoas já morreram no conflito.

Trípoli diz que os rebeldes são criminosos e que apóiam a Al Qaeda. Diz também que os ataques da Otan são atos de agressão colonial pelos países ocidentais que querem controlar o petróleo da Líbia.

Os rebeldes ainda não conseguiram atingir seu principal objetivo militar de derrubar Gaddafi e tomar Trípoli. O conflito estagnou com a maior parte das batalhas recentes concentrando-se na cidade de Misrata, no oeste e na região montanhosa por ali.

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