Líbia estende inscrição eleitoral em meio a ameaças de boicote

A Líbia prorrogou o prazo para a inscrição de eleitores para as eleições nacionais por uma semana para estimular uma maior participação em meio às convocações para um boicote, feita por um conselho autônomo no leste, e ameaças de ações semelhantes por ativistas de Trípoli.

REUTERS

13 Maio 2012 | 16h12

A eleição livre, que deve ser realizada em 19 de junho, será uma novidade para os líbios, pois será a primeira desde o levante popular no ano passado que levou à queda de Muammar Gaddafi, líder que proibiu as urnas durante 42 anos de ditadura.

A votação para a Assembleia Nacional irá desempenhar um papel central na alocação de poder entre regiões e tribos rivais e pavimentar o caminho para uma nova Constituição, embora problemas de segurança estejam gerando preocupação quanto à viabilidade da eleição.

Os líbios começaram a se inscrever para votar em 1 de maio e até agora mais de 1,5 milhão de pessoas já se cadastraram, de acordo com a comissão eleitoral.

"Nós decidimos prorrogar o prazo de inscrições para os eleitores em uma semana, até 21 de maio", informou Nuri Al-Abbar, chefe da Alta Comissão Nacional Eleitoral, em entrevista coletiva no domingo. Ele disse que a decisão não afetará o calendário de votação.

Abbar disse que as mulheres representam cerca de 38 por cento dos eleitores registrados até agora. É estimado um total de 3,4 milhões de potenciais eleitores, em uma população de 6 milhões de pessoas.

As inscrições no leste transcorrem "normalmente, como se esperava", de acordo com Abbar, apesar de um apelo de um conselho autônomo para que as pessoas da região boicotem a eleição.

O Conselho da Cirenaica, que quer autonomia para a região leste ao redor da cidade de Benghazi, disse no início deste mês que a votação deveria ser evitada, pois não daria uma representação adequada ao leste.

Ativistas em Trípoli pediram várias alterações no processo eleitoral, dizendo estarem insatisfeitos com o número de partidos políticos em relação ao número de independentes na composição da Assembleia e com a distribuição dos distritos eleitorais na capital.

"Vamos organizar um boicote às eleições em caso de os nossos direitos e demandas legítimas não serem atendidos", informou um comunicado da Sociedade Civil de Trípoli, que agrupa as organizações não-governamentais.

Na assembleia, de 80 a 200 lugares irão para os partidos políticos, e o restante para candidatos independentes.

Há risco de que a falta de segurança possa comprometer as eleições. O governo interino está lutando para manter sua autoridade sobre dezenas de milícias que recebem ordens apenas de seus comandantes e se recusam a desarmar.

Na semana passada, uma pessoa morreu e várias ficaram feridas quando milicianos começaram a atirar durante um protesto diante do gabinete do primeiro-ministro.

(Reportagem de Ali Shuaib)

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