Líbia recebe pedido de desculpas e liberta funcionários

A Líbia libertou nesta segunda-feira quatro funcionários do Tribunal Penal Internacional (TPI) que estavam presos desde o começo de junho por suspeita de espionagem, num caso que representou a maior polêmica diplomática para o governo provisório líbio desde a revolução de 2011.

HADEEL AL SHALCHI, Reuters

02 de julho de 2012 | 20h24

A advogada australiana Melinda Taylor e a intérprete libanesa Helene Assaf haviam sido presas na localidade de Zintan, acusadas de contrabandear documentos e gravadores para o detento Saif al-Islam, filho do deposto governante Muammar Gaddafi. Dois outros funcionários do TPI, ambos homens, decidiram permanecer com as colegas.

Os quatro foram soltos após um pedido de desculpas do TPI, cujo presidente, Sang-Hyun Song, viajou a Zintan para a libertação, após várias semanas de pressão por parte da corte internacional, do Conselho de Segurança da ONU e do governo australiano.

"Desejo pedir desculpas pelas dificuldades que surgiram em decorrência desta série de eventos. Ao cumprir seus deveres, (o TPI) não tem a intenção de comprometer a segurança nacional da Líbia", disse Song a jornalistas no oeste líbio.

Taylor e Assaf saíram após a entrevista coletiva de uma salinha onde eram mantidas e foram levadas a outra área onde almoçaram. Elas usavam túnicas islâmicas, com os cabelos parcialmente cobertos. Estavam sorridentes, mas pareciam cansadas, e não responderam às perguntas da Reuters.

Os funcionários foram escoltados por embaixadores dos respectivos países até a base aérea de Trípoli, onde embarcaram, rindo, num avião italiano.

Taylor havia sido enviada à Líbia para advogar em nome de Saif al-Islam, cuja extradição o TPI solicita para que responda por crimes de guerra supostamente cometidos durante a revolta de 2011. A Líbia se recusa a extraditar Saif al-Islam, pois prefere julgá-lo no próprio país.

(Reportagem adicional de Ismail Zitouny e Ali Shuaib, em Trípoli; e de Thomas Escritt, em Amsterdã)

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