Líbia sofre para pagar salários e mais confrontos surgem

O primeiro-ministro da Líbia, Ali Zeidan, disse nesta quarta-feira que seu governo será incapaz de pagar o funcionalismo público e poderá ter de recorrer a empréstimos se milícias armadas continuarem bloqueando a movimentação de petróleo em campos de exploração e portos.

ULF LAESSING E AYMAN AL-WARFALLI, Reuters

27 de novembro de 2013 | 19h33

O alerta de Zeidan e os novos confrontos armados, incluindo um ataque a uma histórica mesquita perto de Trípoli, contribuem para a crescente sensação de caos no país dois anos depois da deposição de Muammar Gaddafi.

Potências ocidentais temem que o país do norte da África mergulhe na anarquia enquanto o governo de Zeidan tenta conter as milícias que ajudaram a derrubar Gaddafi, mas que depois disso mantiveram suas armas e ainda controlam partes do vasto país.

Milícias, grupos tribais e minorias étnicas capturaram campos petrolíferos e portos para fazer exigências, secando assim uma das principais fontes de financiamento do orçamento nacional, do qual grande parte é destinada a subsídios para aplacar o descontentamento popular ou comprar a lealdade das milícias.

"Estamos enfrentando uma crise financeira", disse Zeidan a jornalistas, acrescentando que o governo pode ser forçado a contrair empréstimos. "Os dividendos do petróleo tiveram queda de 20 por cento."

Ele não entrou em detalhes. A Líbia vinha exportando mais de 1 milhão de barris por dia no primeiro semestre, quando os protestos e ataques se intensificaram, e a produção agora caiu drasticamente.

Um ultimato do governo para o fim dos ataques às instalações petrolíferas expirou na semana passada, mas Zeidan apenas repetiu que as autoridades tomariam "medidas" não especificadas.

A Líbia também poderá enfrentar cortes de energia elétrica, já que os ataques às instalações petrolíferas afetam a produção de gás em vários campos, disse o ministro da Eletricidade, Ali Muhairig.

Horas antes de Zeidan falar, houve novos confrontos entre forças especiais do Exército e militantes islâmicos em Benghazi, maior cidade do leste da Líbia, uma região rica em petróleo.

Os combates de segunda-feira entre o Exército e o grupo militante islâmico Ansar al-Sharia em Benghazi deixaram pelo menos nove mortos, antes de que os militantes recuassem.

Nas primeiras horas desta quarta-feira, membros da Ansar al-Sharia atiraram granadas contra uma patrulha das forças especiais, segundo uma fonte de segurança. Depois, essa fonte afirmou que não havia clareza sobre a autoria do ataque.

Três soldados também foram mortos em Benghazi, e em Tajoura, nos arredores de Trípoli, desconhecidos explodiram parte de uma mesquita do século 16, mausoléu de um governante otomano, segundo testemunhas.

(Reportagem adicional de Ghaith Shennib)

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