Líbio condenado por explosão de avião em 1988 é enterrado

O líbio condenado pelo atentado a bomba em um vôo da Pan Am em 1988 sobre Lockerbie, na Escócia, foi enterrado nesta segunda-feira em uma cerimônia familiar tranquila, ignorada pela maioria dos líbios ansiosos para esquecer a controvérsia internacional que rodeou Abdel Basset al-Megrahi em vida.

HADEEL AL SHALCHI E ALI SHUAIB, REUTERS

21 Maio 2012 | 12h19

Megrahi, que sempre disse que não foi responsável por derrubar o avião na cidade escocesa, matando 270 pessoas, morreu em sua cama em Trípoli no domingo, rodeado pela família.

Sua libertação da prisão em 2009 causou polêmica na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, de onde eram a maioria das vítimas.

Mas nem a sua morte por câncer, aos 60 anos, nem o seu funeral foram noticiados nas três principais emissoras de televisão na Líbia, onde as pessoas estão concentradas nas próximas eleições depois da queda e morte do ex-líder Muammar Gaddafi em uma guerra apoiada pela Otan no ano passado.

Alguns oficiais da era Gaddafi estavam entre os cerca de 150 presentes, a maioria membros do clã Megrahi, que participaram do funeral de um homem visto por muitos como um lembrete constrangedor do regime Gaddafi, quando a Líbia se tornou um Estado pária e sofreu anos de sanções internacionais.

"Megrahi é um símbolo do antigo regime e se Gaddafi ainda estivesse vivo ele teria recebido um funeral enorme e pomposo", disse o taxista Ali al-Ahmed.

"Mas agora aqueles que gostam dele não querem mostrar que eles são simpáticos, então eles ficam em silêncio. O resto de nós realmente não se importa muito com ele."

No túmulo, o corpo envolto em uma mortalha foi removido de um caixão de madeira e colocado em uma cova profunda aos gritos de Allahu Akbar (Deus é grande), antes de os presentes caminharem silenciosamente.

Mesmo para sua família, cortejada por Gaddafi antes da revolta do ano passado e por jornalistas estrangeiros, a morte de Megrahi representa a conclusão de uma longa saga.

"Eu mesmo ouvi Abdul Basset sempre dizendo que se Deus lhe desse vida e saúde ele iria apelar do caso e provar sua inocência", disse seu primo Ribeiro Megrahi. "Vemos a morte dele como uma misericórdia -- ele descansou e nós também."

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