Líbios celebram fim do Ramadã sem Gaddafi, mas guerra continua

Líbios satisfeitos com a queda de Muammar Gaddafi comemoraram na quarta-feira o fim do mês islâmico sagrado do Ramadã, embora o líder deposto continue foragido, e forças leais a ele desafiem um ultimato imposto pelo governo provisório.

MOHAMMED ABBAS E ROBERT BIRSEL, REUTERS

31 de agosto de 2011 | 09h23

Na recém-rebatizada praça dos Mártires (ex-praça Verde), centenas de pessoas se reuniram para as orações matinais que celebram o Eid al Fitr, feriado que marca o fim do mês muçulmano de jejum.

"É a prece mais bonita. Estamos cheios de alegria, Gaddafi nos fez odiar nossas vidas (...). Viemos aqui expressar nossa alegria pelo fim de 42 anos de repressão e privação", disse o comerciante Hatem Gureish, 31 anos.

A segurança foi reforçada na praça onde Gaddafi pretendia comemorar o 42o aniversário do golpe de Estado que o levou ao poder, na quinta-feira. Cães farejadores circulavam entre os fiéis, e atiradores estavam a postos nos telhados, atentos à presença de seguidores do regime deposto.

"Pode haver alguns bolsões das forças de Gaddafi, mas no geral a capital está segura", disse à Reuters o ministro interino do Interior, Ahmad Darat. "Criamos uma equipe de segurança para gerenciar a crise e preservar a segurança na capital."

Combatentes do Conselho Nacional de Transição (CNT) fizeram uma pausa da sua ofensiva a partir do leste e do oeste contra Sirte, cidade natal de Gaddafi. Seus líderes deram ultimato até sábado para que a cidade se renda.

Aviões da Otan têm bombardeado forças leais a Gaddafi nos arredores da cidade, e a aliança já prometeu a seus aliados líbios que a missão militar será concluída. O CNT diz que a guerra só vai acabar quando Gaddafi for capturado ou morto.

Os novos líderes do país talvez peçam ajuda da ONU para criar uma nova força policial, mas descartam a presença de observadores militares ou forças de paz internacionais, segundo Ian Martin, enviado especial da ONU para a reconstrução pós-conflito na Líbia.

"Está muito claro que os líbios querem evitar qualquer tipo de mobilização militar da ONU ou de outros", disse ele em Nova York.

O CNT, ávido por consolidar seu poder e aliviar as dificuldades após seis meses de guerra civil, recebeu uma injeção de 1,55 bilhão de dólares, graças a uma decisão do comitê de sanções da ONU para liberar bens de Gaddafi que estavam congelados na Grã-Bretanha. Além disso, os novos líderes disseram que a Líbia deve voltar a extrair petróleo nos próximos dias.

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