Líbios enfrentam falta de alimentos e de assistência médica

Os líbios enfrentam cada vez mais dificuldades de acesso a assistência médica e medicamentos, e o preço dos alimentos disparou à medida que o conflito se agrava, informaram agências de ajuda humanitária na terça-feira.

STE, REUTERS

22 de março de 2011 | 16h49

A maior parte da Líbia está fechada aos funcionários da área de assistência, que dizem ter informações incompletas sobre a situação humanitária, principalmente depois do início dos ataques aéreos ocidentais no fim de semana.

A maioria das equipes médicas estrangeiras deixou o país, restando poucos médicos e enfermeiros para cuidar das unidades de tratamento intensivo que recebem um número cada vez maior de pacientes.

As forças do líder líbio, Muammar Gaddafi, atacaram duas cidades do oeste da Líbia na terça-feira, matando dezenas de pessoas. Os rebeldes estão cercados no leste e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) tenta resolver uma disputa sobre quem deve liderar a campanha aérea do Ocidente.

"Há relatos de escassez de suprimentos médicos e de produtos básicos na parte ocidental do país, e os preços aumentaram drasticamente", disse Adrian Edwards, porta-voz do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Refugiados (Acnur), numa entrevista coletiva em Genebra.

Os líbios e os migrantes que chegam pela fronteira com o Egito contaram à Acnur que milhares de líbios da região leste se refugiaram em casas e escolas, disse Edwards.

"O conflito provocou faltas agudas de muitos medicamentos essenciais, incluindo anestésicos. Isso representa um problema especial devido à alta taxa de pacientes admitidos nos hospitais com ferimentos de traumas agudos que exigem intervenção cirúrgica urgente", disse Fadela Chaib, da Organização Mundial da Saúde (OMS), à Reuters.

Há também uma grande falta de remédios para tratar doenças crônicas, incluindo diabetes, doenças cardiovasculares e transtornos da saúde mental, afirmou ela.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), uma das poucas agências de ajuda humanitária em ação no leste da Líbia, tenta distribuir kits emergenciais de saúde aos rebeldes e às forças do governo perto de Benghazi, disse à Reuters o porta-voz do CICV, Marcal Izard.

"Nós também visitamos dois soldados do governo feridos, mantidos pela oposição, que estão num hospital de Benghazi", disse ele.

O Programa Alimentar Mundial (WFP) da ONU enviou 1.500 toneladas de alimentos, em sua maioria farinha de trigo e barras energéticas, a Benghazi, o suficiente para alimentar 114 mil pessoas por 30 dias, disse uma porta-voz.

O programa planeja enviar 30 toneladas de lentilhas e óleo vegetal do Egito nos próximos dias, afirmou ela.

"O WFP está especialmente preocupado com o acesso aos alimentos dentro da Líbia", disse a porta-voz do WFP, Emilia Casella, a jornalistas.

"Ouvimos notícias, das pessoas que chegaram à fronteira, de que os preços do trigo e do pão mais do que dobraram, os do arroz subiram 88 por cento e os do óleo vegetal, 58 por cento", afirmou ela. A maioria das lojas de Zawiyah, Misrata e Sirte estava fechada.

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