Licitação petrolífera no Iraque termina com só 1 concessão

Companhias estrangeiras disputam a terceira maior reserva do mundo, mas temem violência e corrupção

30 de junho de 2009 | 12h16

 

BAGDÁ - A primeira rodada de licitação de seis campos de petróleo e dois campos de gás no Iraque terminou nesta terça-feira, 30, com apenas uma oferta bem sucedida. Um consórcio liderado pela BP PLC, que inclui a China National Petroleum Co., ganhou o contrato pelo campo de petróleo Rumaila, o maior do Iraque e um dos maiores do mundo.

 

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O governo do Iraque vem licitando contratos para desenvolver seis campos de petróleo existentes e dois campos de gás, na primeira abertura do setor de petróleo às empresas gigantes do ramo desde que o Iraque nacionalizou a indústria de petróleo em 1972. Segundo o jornal The New York Times, muitos duvidam que o Iraque esteja pronto para uma entrada súbita de capital das multinacionais do petróleo. O país ainda não é seguro. O Parlamento não aprovou as leis que regulamentam o setor. E as empresas do ramo desconfiam da corrupção no Ministério do Petróleo.

 

Não houve ofertas para o campo de gás Mansouriya, provavelmente devido à localização na província volátil de Diyala, e as empresas que apresentaram ofertas para os demais campos recusaram os termos estabelecidos pelo Ministério de Petróleo. O ministro de Petróleo do Iraque, Hussein al-Shahristani, pediu que os melhores licitantes para cada um dos campos remanescentes reenviassem suas ofertas.

 

O governo do Iraque diz que para garantir a segurança, financiar a reconstrução do país e pagar os salários dos funcionários contratados nos últimos dois anos, será necessário aumentar a produção de petróleo, que corresponde a cerca de 95% da moeda estrangeira que o país acumula.

 

O consórcio da BP e da chinesa CNPC buscava uma remuneração de US$ 3,99 por cada barril extra de petróleo produzido, mas aceitaram os termos do ministério de US$ 2 por barril. As empresas aumentarão a produção no campo para 2,8 milhões de barris por dia, dos atuais 1,1 milhão de barris. As reservas estimadas no campo Rumaila são de 17 bilhões de barris.

 

Um grupo liderado pela ConocoPhillips se recusou a equiparar os termos definidos pelo ministério para o campo de petróleo Bai Hassan, no norte do Iraque. Outro consórcio liderado pela chinesa CNOOC também rejeitou os termos para o campo de petróleo Maysan, no sul do Iraque. O consórcio liderado pela italiana Edison SpA igualmente rejeitou os termos para o campo de gás Akkas. Um consórcio liderado pela italiana Eni SPa rejeitou os termos para o campo de petróleo Zubair. A Exxon Mobil Corp., por sua vez, que havia se juntado à Royal Dutch Shell PLC para apresentar uma oferta pelo campo de petróleo West Qurna fase 1, também rejeitou os termos do governo iraquiano.

 

A BP PLC, a Royal Dutch Shell PLC, a Exxon Mobil Corp. e a Total estão entre as 35 empresas qualificadas no ano passado a apresentar ofertas pelos contratos. O Iraque concederá contratos de serviços técnicos por 20 anos, nos quais as empresas receberão uma tarifa pelo aumento da produção.

 

As empresas não possuirão o petróleo que produzirão, como ocorre na maioria dos lugares, e, portanto, não vão lucrar com a venda. Como resultado, as empresas enfrentarão lucros menores, especialmente se os preços de petróleo subirem, e não poderão contar com os campos de Iraque em suas próprias reservas. Mas os contratos são vistos como uma maneira de as empresas entrarem no Iraque, que acredita-se ter uma das maiores ofertas mundiais de petróleo, com cerca de 115 bilhões de barris em reservas provadas.

 

As petroleiras têm se surpreendido com a política agressiva de preços baixos do Ministério do Petróleo do Iraque. O ministério ofereceu um limite máximo de US$ 2 por barril para aumentar a produção atual nos campos. Mas as empresas vêm apresentando ofertas que vão desde o dobro até dez vezes essa tarifa máxima.

 

Ainda é preciso definir o destino do campo de petróleo Kirkuk. Um consórcio liderado pela Shell foi o único a apresentar uma oferta pelo campo, mas ainda não se sabe se o grupo aceitou os termos definidos pelo governo iraquiano.

 

O Iraque precisa decidir o próximo passo para os campos que estão fora da rodada, uma vez que os consórcios rejeitaram os termos. Ainda não se sabe se os campos serão colocados em uma segunda rodada a ser realizada no final do ano para outros campos.

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