Líder da Al-Qaeda no Paquistão pode estar morto, diz serviço secreto

Terrorista pode ter sido alvo de ataque não-tripulado dos EUA; corpo ainda não foi encontrado

Efe,

28 de setembro de 2010 | 17h28

ISLAMABAD- O suposto chefe da rede terrorista Al-Qaeda no Paquistão, identificado como Sheikh Fatah, pode ter sido morto no fim de semana passado em um ataque americano, informou nesta quarta-feira, 28, à agência Efe uma fonte dos serviços secretos paquistaneses (ISI).

 

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Fatah pode ter morrido em um dos frequentes ataques de aviões não tripulados norte-americanos nas regiões tribais da fronteira com o Afeganistão, registrado há dois dias, segundo a fonte.

 

"A informação de sua morte foi transmitida por fontes locais e oficiais de segurança na área. Sua morte é mais do que um rumor. No entanto, é preciso esperar uma confirmação definitiva", explicou.

 

De acordo com os dados do ISI, Fatah "orquestrou muitos atentados suicidas que foram perpetrados nos últimos tempos no Afeganistão, e também alguns no Paquistão".

 

Em ocasiões anteriores, os serviços de inteligência anunciaram a morte de líderes da insurgência antes de terem encontrado seus corpos, e depois foram obrigados a desmentir suas afirmações, como ocorreu meses atrás com o chefe do Taleban paquistanês, Hakimullah Mehsud.

 

Apenas em setembro, os Estados Unidos lançaram 20 ataques de aparelhos não-tripulados operados pela CIA, que têm como alvos os talebans e a Al-Qaeda.

 

A imensa maioria dos ataques aconteceu no Waziristão do Norte, onde buscam refúgio membros de uma das facções mais radicais dos talebans afegãos, conhecida como "rede Haqqani".

 

O Waziristão do Norte é ainda a única região do cinturão tribal paquistanês na fronteira com o Afeganistão que não foi alvo de uma operação do Exército paquistanês contra a insurgência nos últimos dois anos, apesar da pressão dos EUA.

 

Embora sejam condenados em público, os ataques com mísseis contam a priori com o consentimento do Paquistão, cujos serviços secretos cooperam com os americanos.

 

No entanto, um alto funcionário do ISI denunciou hoje que o órgão "não está sendo informado" de todas as últimas operações perpetradas pelos aviões espiões.

 

"Não estamos de acordo com a escalada atual. É provável que (os EUA) queiram pressionar através dos ataques com aparatos não-tripulados e com as incursões de helicópteros para que lancemos uma operação no Waziristão do Norte, mas isto agora não é possível. Nem agora nem nos próximos meses", afirmou a fonte à Efe.

 

A fonte alegou que o Exército paquistanês já está envolvido em diversas frentes e desempenha um papel ativo na assistência aos milhões de desabrigados pelas inundações das quais sofre o país.

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