Líder do Hamas diz que 'Israel desaparecerá algum dia'

Facção que controla Faixa de Gaza ameaça israelenses no dia do aniversário de 60 anos do Estado judeu

Agências internacionais,

14 de maio de 2008 | 14h56

Um dos líderes do Hamas em Gaza, Mahmoud Zahar, afirmou nesta quarta-feira, 14, que "Israel desaparecerá algum dia, e o povo palestino permanecerá para libertar completamente seus territórios ocupados". Isto foi afirmado por Zahar no dia em que se é relembrada a Nakba (desastre, em árabe), oportunidade na qual os palestinos recordam a criação do Estado de Israel no dia 14 de maio de 1948.   Veja também: Ahmadinejad diz que Israel está perto da 'aniquilação' Bush: democracia em Israel traz otimismo à região Foguete palestino atinge shopping center em Israel   O representante do Hamas reafirmou que seu movimento nunca reconhecerá o Estado de Israel, que, segundo ele, "desaparecerá em breve graças à resistência armada". "Trazemos boas notícias, o dia da libertação e o retorno estão muito próximos, pois lemos bem a realidade e a força da guerra e a destruição não nos amedrontam", declarou Zahar na conferência intitulada "Sessenta anos da Nakba e o retorno está muito próximo".   O movimento, que tomou pelas armas o controle da Faixa de Gaza há onze meses, rejeita reconhecer o Estado de Israel, assim como os acordos assinados pelos palestinos com os israelenses. Da mesma forma, se nega a renunciar à luta armada e está incluída na lista de organizações terroristas de Israel, EUA e UE.   "Nesta oportunidade, por ocasião da Nakba, reiteramos que nunca reconheceremos o impiedoso inimigo, nunca reconheceremos Israel, nunca o reconheceremos", declarou Zahar em meio a uma multidão. Ele encerrou afirmando: "nossas terras não estão à venda nem se pode fazer comércio com elas, e o direito à resistência (armada) é sagrado. Lutaremos com a cultura, a indústria, as armas e os foguetes".   Horas depois de suas declarações, um foguete palestino disparado de Gaza atingiu um shopping center na cidade israelense de Ashkelón, no sul do país, ferindo 14 pessoas, três delas gravemente. O ataque aconteceu após a morte de quatro palestinos, três deles insurgentes, durante operações do Exército israelense em Gaza. O disparo foi reivindicado pelos grupos radicais Jihad Islâmica e Comitês de Resistência Popular.   Após o atentado, o presidente israelense, Shimon Peres, afirmou que os extremistas islâmicos que tentam destruir o Líbano e Gaza não conseguirão acabar com Israel. O líder referia-se diretamente ao Hamas e aos oposicionistas do Hezbollah, que provocaram uma onda de violência no país vizinho da última semana. "Eles tentam destruir o Líbano e Gaza. Não sei o que acontecerá com os dois lugares, mas não atingirá Israel. Eles não conseguirão destruir Israel", afirmou.   Nabka   A agressão e a comemoração do Nakba ocorrem no momento em que a Autoridade Nacional Palestina (ANP), presidida por Mahmoud Abbas, negocia com Israel a possibilidade de um acordo de paz ser alcançado antes do final do ano. Os analistas estimam que o processo é uma das razões que - em contraste com o Hamas -, levaram a ANP a celebrar com discrição a data celebrada por palestinos em Gaza, na Cisjordânia, em Jerusalém e nos campos de refugiados nos países árabes vizinhos.   O dia 15 de maio de 1948 marca o início da primeira guerra árabe-israelense, que levou o povo palestino ao exílio e provocou a destruição de mais de 400 comunidades. As principais homenagens do Nakba acontecerão, pela primeira vez, em dois territórios palestinos divididos não só geograficamente, mas também politicamente. A Faixa de Gaza é governada pelo Hamas, enquanto a Cisjordânia é comandada pela ANP, ligada ao Fatah.   O movimento islâmico Hamas convocou uma manifestação popular na passagem de Erez, região controlada pelo Exército israelense, para protestar contra o bloqueio imposto pelo governo desde que o grupo assumiu o controle de Gaza.   Os eventos da Nabka vão culminar com o toque de sirenes determinando a observância de dois minutos de silêncio na quinta-feira - um procedimento semelhante ao adotado por Israel para lembrar seus mortos de guerra e as vítimas do Holocausto. Milhares de bexigas negras, significando cada dia transcorrido desde a criação de Israel, em 15 de maio de 1948, serão lançadas na Cisjordânia. Os organizadores do evento esperam escurecer o céu de Jerusalém quando Bush estiver ali.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.