Líder do Hamas pede que Ocidente negocie com grupo

Exilado na Síria, Khaled Meshaal afirmou que é hora de acabar com 'boicote' ao movimento palestino

BBC Brasil, BBC

22 de janeiro de 2009 | 07h34

O líder político do grupo palestino Hamas, Khaled Meshaal, afirmou nesta quarta-feira, 21, que chegou a hora de os países ocidentais interromperem o boicote contra seu movimento e pediu o reconhecimento de sua legitimidade. "Eu digo aos países europeus (…), três anos de tentativas de eliminar o Hamas são o suficiente. É hora de vocês negociarem com o Hamas, que ganhou legitimidade com sua luta", disse Meshaal, em um discurso transmitido por um canal de televisão árabe. "Agora é hora de começar a negociar com o Hamas, que é uma força legítima", completou o líder do grupo, que vive exilado na Síria.   Veja também: Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       O Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007, declarou um cessar-fogo de uma semana com Israel no último domingo, após o país ter anunciado o fim de sua ofensiva na Faixa de Gaza. Os quatro principais mediadores do conflito no Oriente Médio - União Europeia, Estados Unidos, Rússia e a ONU - no entanto, afirmam que não negociarão com o Hamas até que ele reconheça a existência de Israel e renuncie à violência.   O líder do grupo palestino declarou ainda vitória contra Israel nos recentes conflitos, afirmando que a "resistência" impediu o país de atingir seus objetivos em Gaza. "A Faixa de Gaza conseguiu uma vitória. O inimigo falhou e a resistência, junto com nosso povo e nossa nação, alcançou a vitória", disse. "Esta foi a primeira guerra que vencemos, a primeira guerra real e de grande escala. É por isso que a batalha em Gaza é uma reviravolta na luta contra o inimigo sionista".   Meshaal afirmou que, no entanto, a luta dos palestinos na Faixa de Gaza ainda não terminou. "Ainda temos duas importantes batalhas. A batalha para acabar com o sítio e a batalha para reabrir as passagens nas fronteiras, particularmente em Rafah". Desde que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza, Israel mantém um bloqueio às fronteiras da região. Meshaal ainda afirmou que a "libertação da Palestina" não é mais "apenas um sonho". "Isto é agora uma realidade que podemos ver, estamos perto de realizar, com a graça de Deus".   O governo israelense também se declarou vitorioso na ofensiva de três semanas contra Gaza nesta quarta-feira, mesmo dia em que afirmou que suas tropas completaram a retirada da região. O ministro da Defesa, Ehud Barak, afirmou em entrevista a um canal de televisão israelense que "o Hamas sofreu uma derrota que nunca imaginou e deve ficar quieto por um bom tempo". Mesmo assim, militares israelenses afirmam que irão responder rapidamente a qualquer "provocação" por parte do Hamas.   Ainda nesta quarta-feira, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, falou por telefone com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert. Segundo o gabinete de Abbas, Obama prometeu fazer esforços para se atingir a paz na região. Já Ehud Olmert teria passado detalhes a Obama sobre a atual situação da Faixa de Gaza. Obama não falou com representantes do Hamas. Mesmo assim, o movimento palestino pediu que ele aprenda com os erros de seu antecessor, George W. Bush, e afirmou que ele será julgado por suas ações.

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