Líder do Hamas rejeita condições israelenses para trégua

Meshaal pede que árabes cortem vínculos com Israel; grupo quer trégua de 1 ano e fronteiras monitorada

Agências internacionais,

16 de janeiro de 2009 | 10h26

  O líder político do Hamas, Khaled Meshaal, disse nesta sexta-feira, 16 que o movimento islâmico não aceita as condições de Israel para uma trégua na Faixa de Gaza e insistiu que o isolamento do território palestino deve ser levantado antes que o grupo islâmico interrompa seus ataques com foguetes contra as populações fronteiriças israelenses. A declaração foi feita em Doha, capital do Catar, onde participa de uma reunião de cúpula regional sobre a crise na Faixa de Gaza.  Veja também:Para Israel, guerra em Gaza está entrando no 'ato final' Hamas abriu fogo de dentro de prédio da ONU, acusa premiêMinistro do Interior do Hamas foi morto, dizem israelensesInvasão já deixou US$ 1,4 bilhão em prejuízosConflito em Gaza vira guerrilha urbana Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos  Veja imagens de Gaza após os ataques       Os líderes dos grupos palestinos Hamas e Jihad Islâmica chegaram nesta sexta-feira a Doha (Catar) para participar de uma reunião de dirigentes árabes a respeito da crise em Gaza, segundo políticos palestinos. Além de Meshaal, principal dirigente político do grupo, a delegação palestina inclui Ramadan Shallah, líder da Jihad Islâmica; e Ahmad Jibril, chefe da facção laica Frente Popular para a Libertação da Palestina - Comando Geral. Todos esses dirigentes vivem exilados na Síria, que deu apoio à proposta do Catar para uma cúpula de emergência a respeito da ofensiva israelense na Faixa de Gaza, que já matou mais de 1.100 palestinos.  O encontro em Doha demonstrou como a ofensiva israelense, iniciada em 27 de dezembro, aumentou as divisões entre os países do Oriente Médio entre os partidários dos Estados Unidos e os aliados do Hamas, como Síria e Irã. O Egito e a Arábia Saudita, mais próximos dos EUA, boicotaram o evento, temendo que ele se tornasse uma plataforma para o Hamas endurecer sua postura e minar a proposta egípcia para um cessar-fogo. O Egito e a Arábia Saudita sugeriram que os líderes da região discutam o tema em um encontro no Kuwait que começa no domingo, que anteriormente discutiria questões econômicas.  Os ministros de Relações Exteriores árabes se encontram nesta sexta-feira para tratar dos detalhes desse encontro. O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, fez uma aparição surpresa no encontro realizado no Catar, fortalecendo a imagem de que o evento era destinado a demonstrar apoio ao Hamas. Em um discurso durante a reunião, o presidente da Síria, Bashar Assad, apoiou o pedido de Meshal para que os países com algum laço com Israel rompessem esse vínculo. Após o pedido, Mauritânia e Catar decidiram suspender suas relações políticas e econômicas com Israel. Mashaal pediu ainda apoio ao Hamas em suas exigências, que os países árabes boicotem Israel e cortem os vínculos com o Estado judeu. Ele insistiu que o Hamas não pode interromper a luta enquanto as fronteiras da Faixa de Gaza estiverem abertas. Isso difere da proposta egípcia, que prevê a interrupção da violência por dez dias, durante os quais as tropas israelenses permaneceriam em Gaza, até que ficasse garantido que não ocorreria o contrabando de armas. Israel exige o fim do lançamento de foguetes em seu território e garantias apoiadas pela comunidade internacional de que o Hamas não se rearmará. "Eu asseguro: apesar de toda a destruição em Gaza, não aceitaremos as condições de Israel para um cessar-fogo.  Por sua vez, Meshal disse que um cessar-fogo de seis meses não foi renovado no fim do ano pois o período de relativa paz não levou Israel a abrir as fronteiras da Faixa de Gaza. "(O povo de Gaza) quer viver livre sem bloqueio ou ocupação, como todo o povo palestino", defendeu o líder do Hamas. O rival do Hamas e presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, também não compareceu ao encontro. Cerca de dez outros líderes árabes também não foram, supostamente pela pressão dos sauditas e egípcios. O Egito convidou nesta sexta-feira o Hamas a voltar ao Cairo para uma nova rodada de negociações sobre um cessar-fogo. A proposta ocorreu após uma delegação israelense expor ao governo egípcio suas condições para uma trégua, disse um alto dirigente islâmico à emissora Al-Jazira. Os egípcios "nos disseram que eles receberam a resposta israelense a suas propostas e pediram para retornarmos ao Cairo para novas conversas", disse Mohammed Nassr.  Críticas a Abbas O emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al-Zani, criticou o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, por não assistir à cúpula de chefes de Estado árabes, organizada em Doha, para discutir a crise na Faixa de Gaza. "Esperávamos que nosso irmão Mahmoud Abbas estivesse conosco para discutir o assunto de sua gente. Se não tivéssemos nos reunido nesta ocasião, quando nos reuniríamos", disse o emir, na inauguração da reunião, segundo a rede de televisão catariana Al Jazira. "O mais importante para nós é parar a agressão (israelense) e aliviar o sofrimento de nossos irmãos em Gaza", acrescentou o emir. Doze países dos 22 membros da Liga Árabe participam da reunião com seus chefes de Estado ou seus representantes: Argélia, Líbia, Síria, Líbano, Sudão, Mauritânia, Iraque, Djibuti, Comores, Catar, Omã e Marrocos. Além disso, estão presentes o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e enviados da Indonésia, Turquia e Senegal. A reunião, convocada pelo Catar, coincide com uma reunião ministerial da Liga Árabe no Kuwait, que foi organizada independentemente à de Doha, o que reflete a divisão entre os árabes sobre como tratar o conflito na Faixa de Gaza. "Esta agressão foi lançada depois de Israel se dar conta de que não haverá nenhuma solução sem a criação de um Estado palestino e sem a restauração de Jerusalém, por isso quis impor novas regras para acabar com a resistência", disse Mashaal. Além disso, afirmou que a ofensiva israelense contra Gaza acabará em breve devido à firmeza do povo palestino, e reiterou suas condições para o fim das hostilidades. "Rafah é uma passagem palestino-egípcia e podemos alcançar acordos para abrir esse cruzamento", acrescentou. Matéria atualizada às 13h10.

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