Líder do Hezbollah recebe ex-prisioneiros em Beirute

Em uma rara aparição pública, Nasrallah dá as boas-vindas aos cinco libaneses soltos do cativeiro em Israel

Agências internacionais,

16 de julho de 2008 | 17h00

Em uma rara aparição pública, o líder do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, deu as boas-vindas aos cinco libaneses soltos do cativeiro em Israel nesta quarta-feira, 16, após o grupo xiita devolver os corpos de dois soldados israelenses ao Estado judeu. Nasrallah, cujas atividades são mantidas em sigilo por razões de segurança, abraçou os ex-prisioneiros em Beirute.   Veja também: Israel entrega cinco prisioneiros ao Hezbollah Hamas parabeniza Hezbollah por troca  Assista ao vídeo    Um clima amargo prevalece em Israel, onde a troca dos presos era vista como uma necessidade dolorosa após dois anos da captura dos soldados Ehud Goldwasser e Eldad Reguev, que levou a um conflito de 34 dias em 2006 e provocou a morte de 1,2 mil libaneses e 159 israelenses.   Entre os libertados estava Samir Kantar, o mais velho prisioneiro libanês em Israel, detido havia 29 anos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha trouxe os homens para a fronteira, na cidade de Naqoura. Usando uniformes militares, eles marcharam em um tapete vermelho flanqueado pela guarda de honra do Hezbollah.   Dois helicópteros militares libaneses levaram os homens para Beirute. No aeroporto da capital do Líbano, o presidente Michel Suleiman, o primeiro-ministro Fouad Siniora e o líder do Parlamento Nabih Berri os beijaram. "O retorno de vocês é uma nova vitória", declarou Suleiman.   Israel recebeu os corpos de Goldwasser e Regev somente após concordar em libertar Kantar, que cumpria pena de prisão perpétua pela morte de quatro israelenses, incluindo uma menina de 4 anos e seu pai.   Dezenas de milhares de pessoas celebravam a libertação de Kantar e dos outros quatro ex-prisioneiros com bandeiras amarelas do Hezbollah em Beirute.   O primeiro-ministro israelense Ehud Olmert lamentou a "celebração do povo pela libertação de um homem brutal" que matou "um bebê de quatro anos", em um comunicado divulgado antes de um encontro particular com a família dos soldados israelenses. Para receber os corpos dos militares, o Estado judeu ainda teve que entregar os restos mortais de 197 palestinos e libaneses.   Importância para Israel   As trocas de presos com o Hezbollah, habitualmente desfavoráveis para Israel, são explicadas pela importância que o judaísmo, o Exército e a sociedade israelense dão ao enterro dos mortos de forma íntegra.   "Os estrangeiros não entenderão o que todo israelense sabe bem: a responsabilidade mútua e a preocupação com cada um de nossos soldados é o elemento que une nossa sociedade", declarou o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em mensagem divulgada nesta quarta.   A troca foi aprovada pelo governo apesar da oposição dos serviços de inteligência, que a viam como um incentivo aos seqüestros de cidadãos israelenses para usá-los como moeda de troca.   Gilad Shalit   O Hamas aproveitou a atenção à troca para anunciar formalmente a interrupção das negociações com Israel para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit até que sejam abertas as passagens fronteiriças de Gaza.

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