Líder do Hezbollah recebe prisioneiros; Israel guarda luto

O líder do Hezbollah, xeque HassanNasrallah, fez na quarta-feira uma rara aparição pública parareceber cinco libaneses libertados por Israel em troca dadevolução dos corpos de dois soldados. Nasrallah, que leva uma rotina sigilosa por questões desegurança, abraçou os ex-prisioneiros durante um ato público emBeirute. "Esta gente, esta nação e este país deram hoje umaclara demonstração de que não podem ser derrotados", disse eleà multidão antes de sair para um local mais seguro, onde fez umdiscurso. Em Israel, o clima era mais lúgubre. A população em geralconsiderava a troca como uma dolorosa necessidade, dois anosdepois da captura de dois reservistas do Exército local, o quedesencadeou uma guerra de 34 dias que levou à morte de 1.200pessoas no Líbano e de 159 israelenses. Entre os envolvidos na troca está Samir Qantar, o libanêshá mais tempo preso em Israel, cumprindo pena de prisãoperpétua por ligação com um ataque guerrilheiro palestino em1979. A Cruz Vermelha Internacional se encarregou de levar oslibaneses até a cidade fronteiriça de Naqoura. Fardados, elesdesfilaram por um tapete vermelho, escoltados pela guarda dehonra do Hezbollah. Em seguida, dois helicópteros do Exército libanês levaramos homens a Beirute, onde o presidente Michel Suleiman, oprimeiro-ministro Fouad Siniora e o presidente do Parlamento,Nabih Berri, os receberam com beijos. "O retorno de vocês é umanova vitória", disse Suleiman. Israel só conseguiu recuperar os corpos dos soldados EhudGoldwasser e Eldad Regev depois de aceitar libertar Qantar, quehavia sido condenado pela morte de quatro israelenses,inclusive uma menina de 4 anos. "Mal-aventurados os que celebram a libertação de um homembestial, que deu pauladas no crânio de um bebê de 4 anos",disse o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, em notadivulgada antes de encontro reservado com as famílias dossoldados. Em Beirute, houve fogos de artifício, e milhares de pessoasagitavam as bandeiras amarelas do Hezbollah para comemorar alibertação dos cinco presos. A multidão atirava arroz e cercavaos veículos que levaram os homens para uma manifestação na zonasul, reduto do Hezbollah. Antes da rápida aparição de Nasrallah, que inflamou amultidão, os ex-prisioneiros também agitaram bandeiras doHezbollah e do Líbano. CAIXÕES O Hezbollah, um grupo xiita apoiado por Irã e Síria, haviaentregado os corpos dos soldados a Israel dentro de doiscaixões pretos. O Exército israelense disse que peritos confirmaram aidentidade dos cadáveres. O Hezbollah nunca havia confirmado amorte deles, mas autoridades de Israel já esperavam essedesenlace, pois os dois estavam gravemente feridos ao seremcapturados. A libertação dos presos libaneses -- que segundo osHezbollah eram os últimos em Israel -- encerra um assunto quedurante os últimos 25 anos motivou a guerrilha a capturarisraelenses para usá-los como moeda de troca. Sob o acordo, promovido por um mediador alemão da ONU,Israel também entregou os corpos de oito combatentes doHezbollah mortos na guerra de 2006 e de 4 palestinos, inclusiveda guerrilheira Dalal Mughrabi, responsável por um ataquecontra Israel em 1978. Nessa mesma troca, o Hezbollah entregou os corpos de outrossoldados israelenses mortos durante os conflitos no sul doLíbano. Posteriormente, como um sinal de boa-vontade para com aONU, Israel deve libertar mais presos palestinos. (Reportagem adicional de Nadim Ladki, Tom Perry e LailaBassam em Beirute, Jeffrey Heller, Ori Lewis, Jospeh Nasr e DanWilliams em Jerusalém, Avida Landau em Rosh Hanikra e Nidalal-Mughrabi em Gaza)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.