Líder rebelde encontrará Sarkozy; segue impasse em conflito

O presidente francês Nicolas Sarkozy se encontrará com o líder dos rebeldes líbios, Mustafa Abdel Jalil, em Paris nesta quarta-feira, enquanto as potências ocidentais lutam para romper o impasse no conflito que já dura dois meses.

ALEXANDER DZIADOSZ, REUTERS

20 de abril de 2011 | 09h13

Os combates entre as forças do líder líbio Muammar Gaddafi e os rebeldes parecem ter se estagnado em um fronte de batalha a oeste de Ajdabiyah, no leste da Líbia.

Misrata, único enclave dos insurgentes no oeste, está sitiada há mais de sete semanas.

A reunião desta quarta-feira será a primeira ocasião em que Sarkozy, primeiro líder estrangeiro a reconhecer o conselho de transição nacional dos rebeldes, se encontrará com Jalil, outrora ministro da Justiça de Gaddafi.

Jalil deve pedir um aumento dos ataques aéreos da Otan e pode fornecer uma lista de nomes de autoridades em Trípoli com quem a oposição estaria disposta a trabalhar se Gaddafi sair, disse uma fonte próxima da oposição líbia na terça-feira.

O escritório de Sarkozy informou que as conversas se concentrarão em como levar uma transição democrática à Líbia.

O ministro das Relações Exteriores líbio, Abdul Ati al Obeidi, teria dito nesta quarta-feira que o governo pode realizar eleições, incluindo sobre o futuro de Gaddafi, se os ataques aéreos do Ocidente cessarem.

"Se o bombardeio parasse, disse al Obeidi, após seis meses poderia haver uma eleição supervisionada pela ONU," relatou a rádio BBC.

"O ministro das Relações Exteriores disse que a eleição pode cobrir qualquer tema levantado por todos os líbios, tudo pode ser colocado na mesa, incluindo, deixou implícito, o futuro de Gaddafi como líder."

Al Obeidi também criticou a decisão da Grã-Bretanha de enviar militares para aconselhar os insurgentes líbios.

"Ele disse que isso só prolongará os combates", informou a

BBC.

A Grã-Bretanha declarou na terça-feira que enviará militares para dar conselhos aos rebeldes sobre organização e comunicações, mas não para treinar ou armar combatentes. A França também diz se opor ao envio de tropas terrestres à Líbia.

Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores russo, disse que o apoio aéreo ocidental está permitindo à oposição líbia se recusar a sentar para negociar.

"O Conselho de Segurança da ONU nunca teve como objetivo derrubar o regime líbio", declarou ele em Belgrado.

A ONU apelou por um cessar-fogo em Misrata, dizendo que pelo menos 20 crianças foram mortas em ataques de forças governamentais.

A terceira cidade líbia, onde se acredita que centenas foram mortos por bombardeios e fogo de atiradores de elite das unidades de Gaddafi, é o foco dos esforços para proteger civis enquanto Gaddafi tenta sufocar uma rebelião contra seu governo de 41 anos.

Nove semanas após a eclosão da rebelião, inspirada pelos levantes contra governantes árabes autocratas, a campanha aérea conduzida pela Otan para deter os ataques contra civis fracassou em impedir os bombardeios.

(Reportagem adicional de Ashraf Fahim em Benghazi, Mussab Al-Khairalla em Trípoli, Hamid Ould Ahmed em Argel, Souhail Karam em Rabat)

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