Líder rebelde líbio adverte Egito por manter TV pró-Gaddafi

Um poderoso líder de milícia líbio advertiu o Egito no sábado, dizendo que usaria a força para fechar sua embaixada e a fronteira, caso os governantes militares se recusassem a tirar do ar uma estação de televisão estatal, que transmite discursos antigos de Gaddafi.

REUTERS

31 de dezembro de 2011 | 16h16

Abdullah Naker, comandante do Conselho Revolucionário de Trípoli, disse que a emissora por satélite Nilesat, do Egito, permitiu que o canal oficial de Muammar Gaddafi, Al Jamahiriya, ficasse no ar na semana passada.

A estação não transmitiu nenhum sinal no sábado, mas os moradores em Trípoli disseram que tinham visto o canal, que tem o mesmo nome e logotipo do Al Jamahiriya, transmitindo na sexta-feira.

Naker disse que o canal é financiado por empresários leais ao líder que morreu em outubro e começou a transmitir na semana passada.

"A transmissão do canal (Al Jamahiriya) deve ser interrompida imediatamente", disse Naker disse em entrevista à imprensa em sua base, a sede de uma empreiteira estatal nos arredores de Trípoli.

"Tomaremos todas as medidas necessárias, incluindo fechar a fronteira, expulsar egípcios e fechar a embaixada e o consulado egípcios."

Um representante da Nilesat disse que as transmissões da estação estatal haviam sido interrompidas há vários meses.

Um funcionário do governo disse que o Ministério Interino das Relações Exteriores entraria em contato com o governo egípcio para "resolver a questão da estação de televisão através dos canais diplomáticos."

O aviso de Naker é o mais recente indicador de que a Líbia ainda é amplamente controlada por centenas de milícias que ajudaram a derrubar Gaddafi, apesar dos esforços do governo interino de desmantelar esses grupos, incluindo os ex-rebeldes na polícia, forças armadas e administração pública.

"Não vamos receber permissão de ninguém", disse Naker. "Tomaremos todas as medidas necessárias para proteger a nossa revolução."

Não foi a primeira vez que Naker fez declarações desse tipo.

Ele alertou, em entrevista à Reuters no mês passado, que seus homens poderiam derrubar o governo, mesmo antes de ter sido nomeado, caso deixasse de atender suas exigências por representação.

As ameaças de Naker são difíceis de serem, mas ele afirma que controla milhares de combatentes.

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