Líder sunita que se reuniu com Bush é morto no Iraque

Está é o segundo atentado planejado para acabar com a vida de Abu Risha, representante da aliança sunita

REUTERS

13 de setembro de 2007 | 11h00

Abdul-Sattar Abu Risha, principal líder na revolta dos líderes tribais sunitas contra a Al-Qaeda no Iraque, foi morto nesta quinta-feira, 13, num atentado a bomba nas proximidades de sua casa na província de Anbar, informou a polícia iraquiana.   Veja Também Cresce aprovação de Bush sobre Iraque Bush deve anunciar retirada de 30 mil soldados Líder sunita morreu por se opor à Al-Qaeda   Abu Risha e dois de seus guarda-costas foram mortos quando uma bomba explodiu na passagem do carro em que viajavam em Ramadi, disse o coronel Tareq Youssef, supervisor da polícia de Anbar.   "O carro do xeique foi totalmente destruído pela explosão. Abu Risha foi morto", afirmou à Reuters uma autoridade policial de Ramadi Ahmed Mahmoud al-Alwani. Dois de seus seguranças também morreram.   O Sunita era líder do Conselho de Salvação de Anbar, também conhecido como Despertar de Anbar - uma aliança de clãs apoiada pelas forças dos EUA. Abu Risha foi um dos líderes tribais que se reuniram com o presidente George W. Bush durante sua visita ao Iraque na semana passada. A passagem pela província foi uma tentativa do presidente americano em mostrar que uma das regiões até então consideradas mais perigosas do país havia sido estabilizada pela estratégia americana.   Nenhum grupo assumiu imediatamente responsabilidade pelo assassinato, mas as suspeitas recaem sobre a Al-Qaeda no Iraque, que, segundo autoridades americanas, sofreu um duro golpe em Anbar graças a Abu Risha e seus xeques amigos.   Em Washington, oficiais do Pentágono admitiram que a morte é um grande revés para os esforços dos EUA no Iraque, porque envia uma forte mensagem àqueles que estão cooperando com as forças americanas ou pensam em fazê-lo.   Ramadã   Um oficial da polícia de Ramadi disse que Abu Risha havia recebido um grupo de pessoas pobres em sua casa no começo do dia, um gesto de caridade marcando o início do mês sagrado muçulmano do Ramadã. Autoridades acreditam que a bomba foi plantada por um dos visitantes.   Um integrante do grupo de Abu Risha, xeque Jubeir Rashid, afirmou que o "ato criminoso" foi obra da Al-Qaeda.   "É um grande golpe para o conselho, mas estamos determinados a dar o troco e continuar nosso trabalho", disse Rashid. "Tal ataque era esperado, mas não vai nos deter".   Depois do atentado, a polícia impôs o estado de emergência em Ramadi e montou barreiras rodoviárias adicionais.   Outra bomba   O porta-voz do Ministério do Interior, major-general Abdul-Karim Khalaf, disse que depois da primeira explosão que matou Abu Risha, um carro-bomba explodiu nas proximidades.   "O carro-bomba foi preparado para o caso de a bomba não alvejar o comboio dele", avaliou Khalaf. Ninguém ficou ferido nessa segunda explosão.   Não é a primeira vez que Abu Risha e seus companheiros são vítimas de um atentado. Em junho, um homem-bomba se explodiu no lobby do Hotel Mansour, de Bagdá, durante um encontro de líderes tribais sunitas cooperando com os Estados Unidos, matando 13 pessoas e ferindo outras 27. Um dia depois, a Al-Qaeda no Iraque assumiu responsabilidade pelo ataque.

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