Líder supremo pede que iranianos compareçam às urnas

Aiatolá comparou o dia da votação com o dia em que Maomé recebeu a primeira revelação do Corão

Efe,

14 de março de 2008 | 04h51

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, pediu nesta sexta-feira, 14, aos iranianos que participem em massa das eleições gerais que acontecem no país. "Este é um dia delicado, importante e decisivo para nosso país e nosso povo (...) existe a possibilidade de determinar, em um só dia, uma grande parte de como será sua vida no futuro", disse Khamenei. O líder supremo comparou o dia da votação no Irã com a "Laylat al-Qadr" (noite do destino), na qual o profeta Maomé recebeu há 14 séculos a primeira revelação do Corão, e começou a estabelecer as bases do Estado islâmico. "Aconselho os iranianos (maiores de 18 anos) a participar da votação, a não atrasar sua presença (nas urnas), e a utilizar todo o seu direito e preencher toda a cédula", acrescentou. Os 45.075 colégios eleitorais abriram suas portas às 8 horas (1h30 de Brasília), 3.150 deles em Teerã, e a votação está prevista para durar até as 18 horas (11h30 de Brasília). No entanto, fontes oficiais indicam que alguns colégios podem ficar abertos por mais tempo, para permitir que o maior número de eleitores possível vote. A votação acontece até o momento sem incidentes e foi registrada uma pequena participação de eleitores em Teerã, mas as autoridades prevêem um aumento nas próximas horas, especialmente depois da prece do meio-dia (horário local) da sexta-feira. Dos mais de 70 milhões de moradores do Irã, cerca de 43 milhões estão convocados às urnas para escolher os 290 legisladores para os próximos quatro anos. Segundo as autoridades iranianas, 4.755 políticos reformistas, tradicionalistas e ultraconservadores concorrem nesta sexta-feira às 290 cadeiras do "Majlis" (Parlamento), das quais cinco pertencem às comunidades minoritárias, incluindo os judeus - aproximadamente 20 mil -, os cristãos armênios e os caldeus, entre outras. Segundo uma pesquisa publicada pela agência Irna, as autoridades esperam a participação de mais de 60% do eleitorado, frente aos 51% de 2004, quando os conservadores derrotaram os reformistas e obtiveram mais de 90% das cadeiras da câmara. Fontes oficiais citadas pela agência Irna asseguraram na quinta-feira à noite que 175.000 soldados da Polícia e os "basij" (paramilitares muito leais ao regime islâmico) garantiriam a segurança das eleições, consideradas decisivas para o futuro da corrente reformista, e para as presidenciais do próximo ano.

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