Líder Taliban pede que insurgentes evitem matar civis

O recluso líder do Talibã, mulá Mohammad Omar, pediu aos insurgentes afegãos que evitem matar civis, após uma onda de atentados suicidas que deixou 63 vítimas fatais nesta semana.

ROB TAYLOR, Reuters

17 de agosto de 2012 | 10h39

Em mensagem por ocasião do Eid al Fitr, festividade que marca o fim do mês sagrado do Ramadã, o dirigente afirmou que os rebeldes precisam "empregar táticas que não causem dano à vida e à propriedade dos concidadãos comuns".

"As instruções dadas a vocês para a proteção de perdas civis são, para vocês, uma obrigação religiosa a observar", disse Omar em mensagem de sete páginas divulgada na noite de quinta-feira e traduzida em cinco línguas.

"Qualquer violação implica prontamente em perda neste mundo e no mundo do porvir. Portanto, conclamo vocês enfaticamente a serem cuidadosos com perdas civis, e que assumam isso para si como uma responsabilidade explícita."

A mensagem provavelmente busca expor uma faceta mais moderada do Taliban, em meio a tentativas de retomar um processo de paz com o governo. Um recente relatório da ONU apontou o Taliban como responsável por 80 por cento das mortes de civis no país.

Na terça-feira, atentados suicidas cometidos por militantes islâmicos em feiras livres e junto a um hospital provincial deixaram dezenas de mortos, no pior de uma série de ataques sectários contra muçulmanos xiitas desde o final de 2011.

O governo disse que reforçou a segurança para os três dias do Eid, e que o Taliban não abrandou seus ataques durante o Ramadã.

Mas Omar, que supostamente está refugiado no Paquistão - algo que o país nega-, se gabou do fato de seus seguidores terem conseguido se infiltrar nas forças afegãs de segurança, a partir de onde conseguiram realizar neste ano 30 ataques contra forças estrangeiras, resultando na morte de 39 soldados.

No mais recente desses incidentes, na sexta-feira, um policial quase setuagenário abriu fogo contra instrutores militares norte-americanos na província de Farah (oeste), matando dois deles antes de ser abatido.

"Os mujahideen inteligentemente se infiltraram nas fileiras do inimigo, conforme o plano dado a eles no ano passado", disse Omar.

"Eles conseguiram entrar nas bases, escritórios e centros de inteligência do inimigo. Aí, realizaram facilmente ataques decisivos e coordenados."

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