Líderes da oposição iraniana irão a ato proibido

Cerimônia nesta quinta-feira em homenagem aos mortos durante os protestos de junho é ilegal

BBC Brasil, BBC

30 de julho de 2009 | 07h32

Líderes da oposição do Irã prometeram participar nesta quinta-feira, 30, de uma cerimônia em homenagem aos mortos em atos violentos ocorridos em protestos contra os resultados da eleição presidencial no mês passado. Em nota publicada no site do candidato derrotado à eleição Mir Hossein Mousavi, ele confirma que participará do ato no cemitério Behesht-e Zahra, em Teerã, ao lado do outro candidato derrotado, Mehdi Karroubi.

 

Veja também:

video Vídeo com a morte de Neda no YouTube (ATENÇÃO: cenas fortes)

lista Conheça os números do poderio militar do Irã

lista Altos e baixos da relação entre Irã e EUA

especialEspecial: Conflito eleitoral divide o Irã

especialEspecial: O histórico de tensões do Irã

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

especialEspecial: As armas e ambições das potências

 

As autoridades não deram permissão para realização da cerimônia. Atos em homenagem aos mortos são chamados de Arbayeen no Irã e geralmente ocorrem 40 dias após o falecimento. Entre os dez mortos no dia 20 de junho, que serão homenageados nesta quinta, está Neda Agha Soltan, uma jovem iraniana cuja morte foi filmada por uma câmera celular. O vídeo circulou por todo o mundo através da Internet e Neda tornou-se símbolo dos protestos iranianos. Ela foi morta com um tiro quando assistia aos protestos. A mãe da jovem deve participar da homenagem desta quinta.

 

As autoridades do Irã deram sinais de que podem ceder um pouco às pressões da oposição. Alguns integrantes da oposição que estão presos serão liberados, depois de acusações de maus-tratos a alguns dos detentos - e até mortes.

 

O governo americano também manifestou-se contra o tratamento dado a presos da oposição. Na quarta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que condena a forma como o governo iraniano está tratando os presos e pediu que muitos sejam liberados. Vinte pessoas acusadas de ataques com bomba e contra as forças de segurança serão julgadas na próxima semana.

 

O Irã passou por uma onda de violência e protestos de rua logo após as eleições presidenciais em junho, que manteve Mahmoud Ahmadinejad no poder por mais um mandato. A oposição contesta os resultados e acusa fraude eleitoral.

Tudo o que sabemos sobre:
Irã

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.