Líderes do Golfo exigem que Israel encerre massacre

Comunicado responsabiliza parcialmente o Hamas e diz que o grupo provocou os ataques israelenese

DALIAH MERZABAN E JOHN IRISH, REUTERS

30 de dezembro de 2008 | 17h12

Países do Golfo pediram na terça-feira, 30, o fim dos massacres de palestinos por Israel em Gaza, mas não aceitaram a sugestão de Catar de realizar uma reunião de cúpula árabe de emergência para definir uma postura conjunta. Um comunicado divulgado depois de uma reunião sugeriu que os líderes aliados dos Estados Unidos responsabilizam parcialmente o grupo islâmico Hamas pela violência. Israel afirma que a facção militante provocou os ataques ao lançar mísseis contra cidades no sul de Israel.   Veja também: Em Curitiba, palestino não pode voltar para casa  Lula: ONU não tem coragem para pôr paz em Gaza  Egito recusa abertura da fronteira com a Faixa de Gaza Israel rejeita trégua e diz que esta é 'só a 1ª fase' UE pede a Israel e Hamas que suspendam ataques   Lapouge: Israel quer restabelecer orgulho militar   Sete mil se alistam no Irã para atentados suicidas contra Israel Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos Veja imagens de Gaza após os ataques    Mas de 360 palestinos foram mortos em quase quatro dias de ataques israelenses no território controlado pelo Hamas. "O conselho (supremo) condena fortemente a agressão israelense e coloca a maior parte da responsabilidade pelo atual nível de agressão em suas políticas teimosas e práticas desumanas contra o povo palestino", disseram os líderes no comunicado divulgado depois de dois dias de reuniões em Omã. Sem mencionar o Hamas pelo nome, eles disseram que Israel deveria "dar fim ao estado de sítio imposto em toda a Palestina, incluindo Gaza". Os líderes dos seis países produtores de petróleo conclamaram a comunidade internacional a "tomar iniciativas imediatas para deter os massacres e agressões praticados pela máquina assassina de Israel e dar proteção ao povo palestino". O Catar, membro do Conselho de Cooperação do Golfo, convocou uma reunião de cúpula árabe para discutir a ofensiva, mas a potência regional Arábia Saudita disse que não há benefício em realizar uma reunião na qual as declarações dos líderes não têm peso.   A Arábia Saudita exigiu que Israel encerre os ataques, mas parece que não está disposta a endossar uma reunião de cúpula que poderia aumentar o apoio ao Hamas. Os países que apóiam o Hamas --o Irã e a Síria, de governos muçulmanos xiitas-- não concordam com a Arábia Saudita em políticas regionais. "A Arábia Saudita não tem interesse em ajudar o Hamas através de posições políticas e está consciente de que uma cúpula árabe só poderia fazer isso", disse um alto diplomata árabe. "Para o Catar, o Hamas é um defensor dos árabes. Essa divergência não ocorre apenas no Golfo. O mundo árabe se divide dessa forma", disse ele à Reuters. Os ministros de Relações Exteriores vão discutir a realização da cúpula de emergência árabe em Cairo na quarta-feira.

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