Líderes do governo do Líbano e do Hezbollah se reuném

Encontro, o primeiro entre os representades de ambas as parte, foi acertado por intermédio da Liga Árabe

Agência Estado e Associated Press,

17 de maio de 2008 | 14h51

Líderes do governo do Líbano, apoiados pelos Estados Unidos, e da oposição liderada pelo Hezbollah reuniram-se para conversações neste sábado, 17, em Doha, capital do Catar, o primeiro encontro entre representantes do primeiro escalão de ambas as parte ocorrido nestes 18 meses de crise política no Líbano e que trouxe a pior onda de violência desde a Guerra Civil de 1975-1990.   O encontro foi acertado por intermédio da Liga Árabe e ambos lados concordaram voar a Doha para negociar a formação de um governo de unidade nacional e a eleição do comandante das Forças Armadas do Líbano, o general Michel Suleiman para presidente do país.   Neste primeiro dia, uma boa parte do tempo foi gasta com a questão do armamento do Hezbollah, em discussões tensas e acaloradas. O líder da maioria no Parlamento do Líbano, o sunita Saad Hariri, e um político cristão pró-governo, Samir Geagea, demandaram que o assunto também fosse discutido no encontro. O líder da delegação do Hezbollah para as discussões em Doha, Mohammed Raad, defendeu a manutenção do arsenal do grupo, dizendo que as armas são para lutar contra Israel e que "não devem ser tocadas", segundo reportou a rede de TV privada LBC Television. A TV disse ainda que houve uma calorosa discussão entre os líderes, a qual ocupou a maior parte da manhã. A rede de TV informou também que os líderes do governo insistiram que os conflitos partidários, ocorridos na semana passada em Beirute e outras áreas, não podem se repetir.   O primeiro-ministro do Catar, Xeque Hamad bin Jassem al Thani, pediu que as discussões se prendessem na criação de um governo de unidade nacional. Segundo a agência de notícias oficial do Líbano, a National News Agency, um compromisso de quatro partes foi acertado para desenhar uma nova lei eleitoral.   Ao colocar a questão do armamento do Hezbollah na mesa, os partidários do primeiro-ministro do Líbano, Fuad Saniora, deixaram transparecer que querem sair da capital do Catar com garantias de que o Hezbollah não mais tomará as ruas, como o fez na semana passada na região oeste de Beirute, onde estão sunitas muçulmanos. Geagea advertiu o Hezbollah que este encontro em Doha terá falhado se o grupo islâmico xiita insistir em manter-se armado. "Não podemos mais aceitar o Hezbollah como está agora", disse à TV Al-Jazeera, do Catar.   O ministro das Telecomunicações, Marwan Hamadeh, disse à agência Associated Press que espera por "três dias críticos" antes do fechamento de qualquer compromisso, mas que as conversações em Doha poderiam incluir "o uso pelo Hezbollah de armas para atingir objetivos políticos internos". A violência na semana passada deixou 67 mortos e 200 feridos e foi iniciada após o governo tomar medidas para controlar o Hezbollah. O governo foi obrigado a voltar atrás. Os conflitos paralisaram o Líbano politicamente, deixando-o sem um presidente desde novembro do ano passado, quando terminou o mandato do Emile Lahoud, pró-síria.

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