Líderes do Hamas evitam sair em público por medo de ataques

Israel ameaça perseguir membros da facção por ataque com foguetes; ex-premiê palestinos não é visto há dias

Agência Estado e Associated Press,

11 de fevereiro de 2008 | 13h12

Líderes do movimento islâmico Hamas cancelaram as aparições públicas e adotaram outras medidas de segurança por temerem tentativas de assassinato por parte de Israel, informaram autoridades locais nesta segunda-feira, 11.   "Estamos adotando todas as formas de precaução. Levamos a sério as ameaças israelenses", declarou Fawzi Barhoum, porta-voz do Hamas. Ele recusou-se a fornecer detalhes, mas destacados líderes do grupo islâmico, entre eles o primeiro-ministro Ismail Haniye, não são vistos em público há dias.   Em Israel, o ministro da Defesa Ehud Barak anunciou ter ordenado uma ampla operação militar contra a Faixa de Gaza, mas observou que a ofensiva não será deflagrada imediatamente. Enquanto as ações militares não começam, prosseguiu Barak, o Exército israelense "operará de todas as formas" para conter os disparos de foguetes rústicos efetuados por rebeldes palestinos contra o sul de Israel.   "Há operações militares todos os dias e todas as noites e elas serão ampliadas ainda mais", disse o ministro a jornalistas depois de uma reunião a portas fechadas no Parlamento israelense. "Uma ampla operação militar em Gaza está mais próxima hoje, mas ela começará somente dentro de alguns dias", assegurou.   Uma fonte no Ministério da Defesa de Israel comentou que a estratégia inclui a "intensificação dos assassinatos" de militantes em Gaza. A fonte recusou-se a revelar se líderes do Hamas seriam atacados.   Israel vem atacando há meses a Faixa de Gaza com o objetivo de impedir os disparos de foguetes. Apesar de Israel já ter matado mais de 200 rebeldes e dezenas de civis palestinos nos últimos meses, os disparos persistem. Ao longo dos últimos sete anos, 12 israelenses morreram e dezenas ficaram feridos por causa dos foguetes disparados pelos militantes palestinos em direção ao sul de Israel. No sábado, um menino de oito anos perdeu uma das pernas depois de ter sido atingido num ataque de foguetes contra Sderot, no sul do pais.   Por enquanto, as operações militares israelenses concentram-se em ataques a esquadrões de lançamento de foguetes e comandantes de campo. Os líderes políticos do Hamas têm sido poupados. Em 2004, porém, Israel matou o fundador do movimento islâmico e seu sucessor no comando do grupo em dois ataques aéreos perpetrados num intervalo inferior a um mês.   Egito   Enquanto isso, um destacado líder do Hamas advertiu que os palestinos voltaram a atravessar a fronteira de Gaza com o Egito se o bloqueio ao território palestino litorâneo persistir. A advertência de Said Siam é uma resposta à ameaça do Exército egípcio de "quebrar as pernas" de qualquer pessoa que tentasse atravessar a fronteira".   "Não podemos olhar nos olhos das pessoas enquanto seus filhos morrem diante de seus próprios olhos", disse Siam ao semanário Al-Risala, favorável ao Hamas. "A situação é clara. Não resolver o problema da fronteira e manter o boicote são fatores que alimentam a possibilidade de a situação explodir novamente. Não estamos instigando isso, mas também não podemos evitar", observou Siam.

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