Líderes israelenses testam bunker antinuclear em Jerusalém

Líderes israelenses se esconderam na quarta-feira em um novo bunker subterrâneo antinuclear como parte de exercícios anuais para uma eventual guerra contra o Irã, a Síria e guerrilheiros libaneses e palestinos.

DAN WILLIAMS, REUTERS

22 de junho de 2011 | 19h03

Autoridades disseram que essa foi a primeira vez em que o gabinete de segurança comandado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu testou o "Centro Nacional de Gerenciamento" escavado ao longo da última década sob o complexo governamental em Jerusalém.

O bunker contém alojamentos e instalações de comando. Ele pode ser acessado pelas encostas da zona oeste da cidade, na saída para Tel Aviv.

"Este é o lugar adequado a partir do qual comandar o Estado de Israel em tempo de guerra", disse o ministro da Defesa Doméstica, Matan Vilnai, à Rádio do Exército.

Desde a guerra de 2006 contra o grupo islâmico libanês Hezbollah -- ocasião em que o norte do país foi atingido por milhares de foguetes de curto alcance--, Israel vem realizando exercícios de defesa civil cada vez mais minuciosos. As autoridades temem que futuros conflitos envolvam mísseis não-convencionais disparados por Síria e Irã.

O exercício de quarta-feira, batizado de "Ponto de Inflexão 5", tinha como cenário um bombardeio intenso em várias frentes de Israel, com milhares de mortos e feridos. A polícia e equipes médicas foram mobilizadas, e sirenes antiaéreas seriam acionadas duas vezes.

"É certamente um cenário extremo (embora) suponhamos que nossos inimigos não ousariam operar dessa forma, dado o nosso poder dissuasório", disse Vilnai.

Israel, que supostamente possui o único arsenal nuclear do Oriente Médio, bombardeou em 1981 um reator iraquiano, para evitar que o país adquirisse capacidade atômica.

A mesma coisa voltou a acontecer 2007 contra a Síria, e o governo continua fazendo ameaças veladas de atacar instalações nucleares iranianas, algo que analistas consideram bem mais improvável devido às implicações táticas e políticas.

A revelação da existência do bunker levou alguns israelenses a questionar se o país não estaria adotando uma postura mais passiva diante de possíveis ameaças nucleares.

Autoridades dizem que oferecer um refúgio secreto aos líderes nacionais é uma forma de desencorajar ou pelo menos conter uma futura guerra.

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