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Líderes palestinos comemoram compromisso de Obama com paz

Em encontro com Abbas, presidente americano volta a atacar assentamentos de Israel e pedir Estado palestino

29 de maio de 2009 | 08h54

A direção palestina mostrou satisfação nesta sexta-feira, 29, com "o compromisso pela paz" do presidente americano, Barack Obama, que pediu na quinta-feira o fim do crescimento dos assentamentos israelenses em território ocupado. "Os palestinos estão encorajados com o compromisso que o presidente Obama e sua Administração expressaram pela paz no Oriente Médio", disse o chefe negociador palestino, Saeb Erekat, em comunicado.

 

"Palestinos e americanos compartilham um mesmo interesse e uma mesma visão", ressalta o comunicado, divulgado depois de Obama se reunir em Washington com o presidente palestino, Mahmoud Abbas. "Acredito fortemente na solução de dois Estados", afirmou Obama. Segundo o presidente americano, conforme estipulam os acordos firmados em 2003, conhecidos como Mapa da Estrada, "Israel precisa parar a construção de assentamentos para garantir que haja um Estado palestino viável". O líder americano também pressionou os palestinos a melhorar suas forças de segurança e reduzir incitações anti-Israel em escolas e mesquitas.

 

Erekat destacou que "a resolução do conflito palestino-israelense é fundamental para a estabilidade e a paz regional", e reiterou a necessidade de criar um "Estado palestino que seja viável, e viva em paz e segurança com Israel, algo que é importante não só para a região, mas também para a América". O chefe negociador palestino considera imprescindível para a conquista desse objetivo que Israel freie a ampliação das colônias em território ocupado, cujo crescimento "mina a viabilidade da solução de dois Estados" para resolver o conflito.

 

Na semana passada, também em Washington, Obama já havia pedido ao premiê israelense, Binyamin Bibi Netanyahu, que suspendesse a construção de novas colônias. Na terça-feira, a secretária de Estado Hillary Clinton intensificou a pressão e disse não haver exceções nem mesmo nos casos que os israelenses denominam "crescimento natural" - construção de novas casas nos assentamentos por causa do aumento populacional. Em resposta, o porta-voz do governo de Israel, Mark Regev, disse que os israelenses estão dispostos a colaborar não construindo novos assentamentos e desmantelando os postos avançados (colônias construídas à revelia do governo israelense). Mas acrescentou que a "vida normal deve continuar nessas comunidades", indicando que os assentamentos já existentes poderão ter um crescimento natural.

 

Os assentamentos são considerados um dos temas mais delicados das negociações entre israelenses e palestinos. Atualmente, calcula-se em cerca de 300 mil colonos vivendo na Cisjordânia que, com a Faixa de Gaza, é um dos territórios reivindicados pela Autoridade Palestina para um futuro Estado.

 

Abbas, por sua vez, segundo assessores que o acompanham a Washington, defendeu a proposta de paz da Liga Árabe no encontro com Obama. A organização propôs o estabelecimento de relações de todos os países árabes com Israel em troca da retirada israelense dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o que inclui as Colinas do Golan, Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental. O plano é nebuloso sobre o destino de centenas de milhares de refugiados palestinos que querem o direito de retornar para o que hoje é Israel.

 

Obama reuniu-se com o rei Abdullah, da Jordânia, em abril, e com Netanyahu e Abbas neste mês. Na semana que vem, viaja ao Oriente Médio, onde planeja, na quarta-feira, se encontrar com o rei Abdullah da Arábia Saudita. No dia seguinte, Obama fará um discurso para o mundo islâmico no Cairo e conversará com presidente do Egito, Hosni Mubarak.

 

(Com Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo)

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