Líderes palestinos pedem fim do bloqueio à Faixa de Gaza

Presidente da Autoridade Palestina pede que Israel encerre bloqueio para 'facilitar a vida dos inocentes`

Agências internacionais,

21 de janeiro de 2008 | 08h29

Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, pediu por meio de seu porta-voz que Israel encerre o bloqueio à Faixa de Gaza e permita a entrada de combustível para 'facilitar a vida dos inocentes', que estão sem eletricidade desde o último domingo. Já o dirigente do Hamas, Khaled Mashaal, fez um apelo nesta segunda-feira, 21, ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, para que adote medidas contra o bloqueio israelense. "Faça algo para evitar esta agressão", pediu o dirigente do Hamas.   Abbas, que perdeu o controle da Faixa de Gaza ao Hamas no ano passado, também pediu uma reunião especial com os ministros das Relações Exteriores do mundo árabe para discutir a crise e a possibilidade de levar a questão ao Conselho de Segurança da ONU, caso Israel não atenda ao seu apelo. As informações foram divulgadas nesta segunda pela BBC.   Um terço de Gaza continua nesta segunda sem eletricidade, depois que a única central elétrica da faixa foi obrigada a interromper sua provisão na tarde de domingo, 20, em função da falta de combustível motivada pelo bloqueio israelense. A região depende da energia elétrica fornecida por Israel, que, desde quinta-feira, fechou todas as passagens fronteiriças com Gaza. O bloqueio foi realizado em represália aos lançamentos de mísseis contra áreas exclusivamente civis do país, que vêm ocorrendo diariamente e são atribuídos ao Hamas.   A interrupção da atividade na usina, que cobre um terço do consumo elétrico na faixa, deixou sem energia a Cidade de Gaza e os campos de refugiados de Al-Bureij e Nuseirat, ao sul da capital. A medida gerou o alarme diante do risco de uma crise humanitária em um território onde 80% da população já vive graças à ajuda internacional.   Na noite de domingo, a população se aglomerava nas portas dos mercados por medo de ficar sem itens básicos, enquanto os hospitais temem que o "blecaute" os impeça funcionar.   Altos comandantes militares israelenses reconhecem na edição desta segunda do jornal The Jerusalem Post que os alimentos podem ficar escassos durante a semana, e o mesmo pode acontecer com os medicamentos.   No fim da noite de domingo, porém, o Ministério de Exteriores israelense publicou um comunicado no qual acusava o Hamas - que controla a faixa desde junho - de "exagerar amplamente" no risco de crise humanitária, e o responsabilizava pela situação por lançar foguetes contra Israel.   Intervenção egípcia   "Este é um momento histórico, sua Excelência presidente Mubarak. Faça algo para evitar esta agressão. Diga aos líderes sionistas que o Egito estará à altura de sua responsabilidade árabe se não levantarem o cerco", pediu o dirigente do Hamas, Khaled Mashaal, nesta segunda.   Mashaal assinalou em sua alocução, transmitida pela Al Jazira, que mandou uma mensagem a Mubarak através do chefe dos serviços de inteligência egípcios, Omar Suliman, para pedir que reajam o mais rápido possível para ajudar os palestinos de Gaza.   O Egito faz fronteira com Gaza através da passagem de Rafah, fechada desde junho após o Hamas tomar o controle da faixa territorial palestina. Mashaal, que vive na capital síria, disse aos dirigentes israelenses que eles estão enganados em acreditar que o bloqueio diminuirá a vontade dos palestinos.   "Esses terroristas, (o primeiro-ministro israelense) Ehud Olmert e (o líder da oposição israelense) Benjamin Netanyahu sonham se pensam que este cerco romperá a vontade de nosso povo palestino, inclusive sobre seu sangue e suas caveiras", indicou Meshaal.   Os 22 países-membros da Liga Árabe vão se reunir nas próximas horas para discutir sua postura em relação a esse bloqueio.

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