Líderes religiosos do Zimbábue pedem ajuda para evitar genocídio

Países vizinhos se unem para bloquear a entrada de um navio chinês carregado de armas

AP

22 de abril de 2008 | 19h13

Líderes religiosos do Zimbábue pediram nesta terça-feira, 22,  ajuda internacional para conter uma campanha de violência do governo de Robert Mugabe que poderia derivar em "genocídio"."Pessoas são seqüestradas, torturadas e humilhadas ao serem ordenadas a repetir slogans do partido político (Zanu-PF) que supostamente não apóiam", de acordo com um comunicado de uma coalizão religiosa do país divulgado nesta terça-feira. "Em alguns casos, elas são assassinadas."Ao mesmo tempo, países vizinhos do Zimbábue uniram-se para bloquear a entrada de um navio chinês carregado de armas que iriam para o governo do presidente Robert Mugabe e supostamente seriam usadas contra a oposição.Governos, sindicatos, líderes religiosos e grupos de direitos humanos de países que evitam criticar Mugabe - como Angola e Moçambique - intensificaram os protestos para impedir a embarcação de atracar.O navio está ancorado em alto-mar desde a semana passada, quando foi impedido de entrar na África do Sul.O presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, fez um apelo aos países da região que não permitam a entrada do navio. Mwannawasa é um dos poucos líderes africanos críticos de Mugabe, que enfrenta crescente pressão por não divulgar o resultado das eleições presidenciais três semanas após a votação. Os Estados Unidos também pressionaram países da região para barrar o barco.O governo chinês defendeu-se nesta terça-feira, afirmando que o armamento "era parte de um carregamento de produtos militares comercializados entre a China e o Zimbábue", mas admitiu que está considerando levar o carregamento de volta.A embarcação chegou à costa sul-africana na quinta-feira com 77 toneladas de munição, foguetes e morteiros de fabricação chinesa e avaliados em US$ 1,4 milhão.A princípio, o governo da África do Sul afirmou que não tinha razões legais para impedir a embarcação de descarregar o armamento e transportá-lo até o Zimbábue, que não tem acesso aomar. Isso porque não há um embargo internacional sobre a venda de armas para o país.No entanto, ONGs locais e padres da igreja anglicana convenceram um juiz a barrar a entrada do barco.A embarcação tentou então entrar em Angola, Moçambique e Namíbia, mas foi impedida por ONGs e autoridades dos governos locais.

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