Líderes sírio e saudita tentam acalmar o Líbano

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, e o presidente da Síria, Bashar al Assad, se reuniram na sexta-feira com líderes de facções políticas libanesas para tentar contornar a crise gerada pelo funcionamento de um tribunal da ONU.

YARA BAYOUMY, REUTERS

30 de julho de 2010 | 17h48

O influente grupo xiita Hezbollah, que participa da coalizão de governo, teme que membros seus sejam indiciados pelo assassinato, em 2005, do estadista libanês Rafik al Hariri, pai do atual primeiro-ministro, Saad al Hariri.

A dramática visita dos líderes sírio e saudita mostra a importância que os governos da região dão à estabilização do Líbano. Em nota, a presidência libanesa disse que os visitantes discutiram "formas de reforçar o acordo nacional e a estabilidade libanesa", e salientaram a necessidade de evitar a violência.

O líder do Hezbollah, xeque Hassan Nasrallah, diz que o Líbano deve rejeitar eventuais indiciamentos do tribunal especial da ONU que apura a morte de Hariri, e que ele considera ser "um projeto israelense". A corte diz que nenhum indiciamento foi decidido por enquanto.

O Hezbollah é um grupo xiita apoiado por Irã e Síria, enquanto a Arábia Saudita apoia Hariri. Disputas entre as facções pró-Hariri e o Hezbollah quase provocaram uma guerra civil em 2008 no Líbano, mas um acordo mediado pelo Catar restabeleceu a ordem.

O analista político libanês Suleiman Taqi al Deen disse que a visita de Abdullah e Assad foi "importante, excepcional e preventiva".

"É a primeira vez que isso acontece antes que uma situação no Líbano exploda. É uma compreensão de desarmar o problema libanês, porque se explodir suas consequências serão muito perigosas na região", disse ele à Reuters.

O primeiro-ministro Michel Suleiman conversou com os chefes de Estado visitantes e os recebeu em almoço junto com outros políticos libaneses.

Em encontros paralelos, Abdullah foi à casa de Hariri, Assad confabulou com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, e o chanceler sírio, Walid Mualem, esteve com parlamentares do Hezbollah.

Os dois governantes partiram após as reuniões no avião real saudita, com destino a Damasco. O emir do Catar chegaria em seguida a Beirute.

Essa foi a primeira visita de Assad a Beirute desde o atentado que matou Hariri. Depois do crime, sob pressão dos EUA, da França e da Arábia Saudita, a Síria se viu obrigada a encerrar 29 anos de presença militar no Líbano.

Já o pró-ocidental Saad Hariri abandonou no ano passado, ao se tornar primeiro-ministro, o seu discurso anti-Síria, e fez várias visitas a Assad, que por sua vez também tem melhorado suas relações com governos ocidentais.

O monarca saudita havia estado pela última vez em Beirute em 2002, numa cúpula árabe, quando ainda era o príncipe-regente. Fazia décadas que um rei saudita não ia ao país.

(Reportagem adicional de Mariam Karouny)

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