Frank Franklin II/AP
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Lieberman duvida da disposição dos palestinos em atingir acordo

Segundo chanceler de Israel, palestinos comparecem às negociações 'obrigados pelos americanos'

Efe,

27 de setembro de 2010 | 19h21

NOVA YORK- O ministro de Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, expressou nesta segunda-feira, 27, dúvidas sobre a disposição dos palestinos de chegar a um acordo no processo de paz retomado no início do mês.

 

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"O fato de terem comparecido às negociações nas últimas semanas não foi devido a uma verdadeira boa intenção para chegar a um acordo, mas sim a imposição dos americanos", disse o chefe da diplomacia israelense à imprensa após se reunir com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

 

O diplomata também rechaçou as pressões para que o Estado judeu renove a moratória às construções de assentamentos em território ocupado, retomadas hoje. "Decidimos estabelecer a moratória até dez meses, como um gesto de boa vontade, mas durante nove meses os palestinos perderam tempo", declarou.

 

Segundo Lieberman, os palestinos antes rechaçaram a medida e a qualificaram como "fraude", mas agora "pressionam sobre a mesma moratória que antes haviam rechaçado".

 

O chanceler, no entanto, disse que Israel está disposto a continuar as negociações. "Em todo o caso, estamos dispostos a continuar o diálogo, sem condições prévias".

 

As negociações diretas com palestinos foi um dos assuntos abordados por Lieberman em sua reunião com Ban, de acordo com a ONU.

 

O secretário-geral expressou sua "decepção" pela decisão israelense de não estender a moratória e sua preocupação pela possibilidade de que atos de provocação compliquem ainda mais as tentativas de solucionar o conflito.

 

O máximo responsável da ONU também conversou hoje por telefone com o enviado especial dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, que esta noite viaja à região para tentar desbloquear as conversações.

 

Segundo a ONU, Mitchell informou que se encontrará com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

 

Abbas tem advertido desde o início das conversações que as abandonaria caso Israel retomasse as construções na Cisjordânia. Hoje, no entanto, um porta-voz afirmou que o líder palestino não tomará nenhuma decisão antes de se consultar com governos árabes.

 

As negociações de paz entre israelenses e palestinos estavam paralisadas há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. No início de maio, porém, os lados anunciaram a retomada das conversas, embora nenhum progresso tenha sido feito até agora.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

 

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