Lieberman, um linha-dura que ganhou espaço em Israel

Ultradireitista cresceu em eleições pregando que judeus correm riscos com sua própria população árabe

Ethan Bronner, The New York Times,

09 de fevereiro de 2009 | 18h06

No ano passado, ele sugeriu publicamente que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fosse para o inferno. Nas eleições parlamentares israelenses, que acontecem nesta terça-feira, 10, ele concorre com a promessa de exigir que cidadãos árabes assinem um juramento de lealdade. Avigdor Lieberman, segundo todas as pesquisas, não se tornará primeiro-ministro. Mas sua popularidade tem aumentado tanto que seu partido espera ser o terceiro colocado, fazendo dele um político de poder com uma mensagem explosiva e aparentemente ressonante: Israel corre riscos não apenas do exterior, mas de sua própria população árabe.   "Não importa mais se Lieberman conseguirá 19 assentos, como algumas pesquisas indicam, ou apenas 15", apontou o comentarista político Sima Kadmon na edição de sexta-feira do jornal Yediot Aharonot. "Ele é a história desta campanha eleitoral". O candidato à frente e provável primeiro-ministro continua sendo Benjamin Netanyahu, do conservador Partido Likud. Pouco atrás está Tzipi Livni, ministra do Exterior e líder do centrista Partido Kadima. O ministro da Defesa Ehud Barak, líder centro-esquerda Partido Trabalhista está em terceiro, impulsionado pela recente guerra em Gaza.   Veja também: Partidos israelenses fazem esforço final com indecisos Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Veja os principais candidatos a premiê de Israel Conheça os principais partidos israelenses    O ultradireitista Yisrael Beitenu (Israel é Nossa Casa), de Lieberman, que deixou sinalizar apoio ao Likud, talvez possa fazer parte de uma eventual coalizão de governo ou liderar a oposição. Muitos da cena política, incluindo membros dos três principais partidos, estão furiosos e receosos quanto às duas possibilidades, porque eles consideram abertamente Lieberman um demagogo. Eles temem que seu foco a um comum paradoxo da vida política local - como um Estado feito de judeus e árabes pode se definir como judeu e democrático - mine uma delicada coexistência.   "Eu tenho medo desse homem e não gosto dele", disse Shmuel Sandler, reitor do Ciências Sociais na Universidade Bar Ilan, uma entidade que enfatiza a identidade judaica e seus valores. "Ele apela para eleitores de mentes simples. Israelenses normais sentem que nós temos desistido de território e, ao mesmo tempo, árabes não querem aceitar a natureza judia do Estado."   A ofensiva militar de Israel contra os dirigentes do Hamas na Faixa de Gaza ajudou Lieberman de duas formas. Primeiro, ele se apresentou como um homem forte para lutar com os inimigos de Israel. Ao mesmo tempo, árabes israelenses simpatizantes à Gaza protestaram contra a guerra, o que irritou muitos judeus.   "O maior impulso que a campanha dele teve foram fotos de árabes israelenses levantando bandeiras do Hamas durante a guerra em Gaza e gritando 'morte aos judeus'", ressaltou Abe Selig, repórter do Jerusalem Post que estava acompanhando Lieberman. Mas ele não é parte da direita clássica - é menos doutrinário sobre o território e não é religioso - e sua iconoclastia parece atrair eleitores.   Reunidas, as propostas de Lieberman parecem apontar para um Estado judeu etnicamente puro, o que é de muitas formas um objetivo conservador clássico. Mas seus desejos de desistir do território onde Israel está de forma espremida e ao redor de Jerusalém, com o objetivo de reduzir a população árabe, viola um princípio básico de muitos na direita: Israel não deve diminuir, porque isso poderia ser estrategicamente arriscado.

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