Liga Árabe deixa para ANP decisão de quando retomar diálogo direto

Órgão apoia volta às negociações com Israel, mas considera 'atual situação na região'

Associated Press

29 de julho de 2010 | 12h22

CAIRO - As principais nações da Liga Árabe concordaram nesta quinta-feira, 28, em apoiar o ingresso da Autoridade Nacional Palestina (ANP) nas negociações de paz diretas com Israel, mas disseram que isso deve ocorrer de acordo com a decisão do líder palestino Mahmoud Abbas.

 

Os chanceleres árabes endossaram a ideia de negociações diretas com os israelenses, mas o primeiro-ministro do Catar, o xeque Hamad bin Jassem al-Thani, disse que cabe ao líder da ANP decidir quando estabelecer o contato com o Estado judeu. "Não discutimos quando e como as negociações vão recomeçar. Cabe ao lado palestino decidir", disse.

 

A decisão de apoiar Abbas, que estabeleceu algumas condições para a retomada do diálogo direto, foi tomada mesmo com a pressão dos EUA e da União Europeia para que o processo fosse restabelecido. Os chanceleres ainda enviaram uma carta ao presidente americano, Barack Obama, explicando a posição do órgão sobre o assunto e expondo algumas condições.

 

Segundo al-Thani, os ministros originalmente apoiavam o retorno imediato da ANP às negociações diretas, mas dadas as tensões que o Oriente Médio vive atualmente, resolveram deixar a decisão para Abbas. "Confiamos nos que e no presidente Obama para chegar à paz, mas pode a paz ser atingida?", disse o chanceler catariano.

 

Israel

 

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, emitiu um comunicado imediatamente após a divulgação da decisão da Liga expressando sua "disposição de começar o diálogo direto e franco com os palestinos nos próximos dias".

 

Nesta semana, a agência Associated Press obteve um documento palestino indicando que o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, disse que o presidente Barack Obama não poderia ajudar a ANP a estabelecer o Estado palestino se não ocorressem negociações diretas.

 

Abbas, porém, disse que antes quer ver progressos nas negociações indiretas que ocorrem sob mediação americana. O documento ainda alerta o líder palestino de que não aceitar as condições propostas pelos EUA seria um suicídio político.

 

Netanyahu se recusou a receber condições para entrar no diálogo. Ele disse aceitar a criação do Estado palestino sob algumas condições, mas disse que não abrirá mão de Jerusalém Oriental, um dos principais enclaves da região.

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