Liga Árabe reitera recusa em reconhecer Israel como Estado judeu

Segundo funcionários israelenses, Netanyahu pedirá reconhecimento a Abbas em negociações

estadão.com.br,

16 de setembro de 2010 | 20h59

CAIRO- Os ministros árabes de Relações Exteriores destacaram nesta quinta-feira, 16, sua recusa em reconhecer Israel como Estado judeu em uma resolução aprovada ao término de uma reunião na sede da organização. As informações são da agência de notícias AFP.

 

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"O Conselho de Ministros da Liga Árabe afirma que rechaça os pedidos israelenses aos palestinos para que reconheçam Israel como Estado judeu", informa a decisão.

 

Segundo responsáveis israelenses, durante as negociações diretas, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu afirmará ao presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que os palestinos devem reconhecer Israel como Estado-nação do povo judeu.

 

Por outro lado, os ministros árabes instam "o governo americano a pressionar Israel para que congele totalmente a colonização dos territórios palestinos, inclusive Jerusalém".

 

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, advertiu em uma coletiva de imprensa ao final do encontro ministerial que "não haverá negociações" se a moratória sobre a construção de assentamentos na Cisjordânia, que expira em 26 de setembro, não for prolongada. "Essa é a nossa posição e a do presidente (palestino) Mahmoud Abbas", acrescentou.

 

As negociações diretas entre israelenses e palestinos, suspensas desde o fim de 2008, foram retomadas em 2 de setembro em Washington. Na terça, Abbas e Netanyahu se encontraram no Egito, e ontem em Jerusalém, sob mediação dos Estados Unidos.

 

O diálogo estava paralisado há 19 meses, quando o Estado judeu realizou a Operação Chumbo Fundido na Faixa de Gaza e matou milhares de civis. No início de maio, porém, os lados anunciaram a retomada das conversas, embora nenhum progresso tenha sido feito até agora.

 

A cisão entre os grupos palestinos também prejudica as negociações. Em 2007, a Autoridade Palestina, facção secular liderada por Mahmoud Abbas, e o Hamas, movimento de resistência islâmica de inspiração religiosa, romperam o governo de coalizão que administrava os territórios palestinos.

 

Desde então, o Hamas - considerado por Israel e pelos EUA como uma organização terrorista - controla a Faixa de Gaza, e a Autoridade Palestina governa a Cisjordânia. O Hamas se nega a reconhecer o direito de existência de Israel e frequentemente lança foguetes contra o território judeu.

 

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