Liga Árabe se reúne para decidir futuro do processo de paz

Chanceleres da Liga Árabe se reuniram na sexta-feira na Líbia para ouvir os argumentos do presidente palestino, Mahmoud Abbas, pela suspensão do processo de paz com Israel até que o Estado judeu prorrogue a moratória na ampliação dos seus assentamentos da Cisjordânia.

DOUGLAS HAMILTON, REUTERS

07 de outubro de 2010 | 20h40

O processo de paz, retomado há apenas cinco semanas, chegou a um impasse desde o fim de setembro, quando expirou a moratória unilateral de dez meses adotada por Israel na ampliação dos assentamentos.

Até agora, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não dá sinais de que irá renovar as restrições, o que desagradaria grupos dentro do governo que são ligados aos colonos da Cisjordânia.

Os palestinos entendem que os assentamentos impedem o estabelecimento de um Estado viável e contínuo, e o porta-voz de Abbas, Nabil Abu Rdainah, disse que o presidente levará à Liga Árabe a posição de que "retomar as negociações exige um congelamento total das atividades colonizadoras."

"A colonização é um impedimento às negociações e cria uma atmosfera em que Israel sozinho tem a culpa pela obstrução do processo político", disse Rdainah à Reuters.

Abbas pressiona Israel por uma moratória de mais "três a quatro meses, para dar uma chance à paz", segundo seu porta-voz.

Já Netanyahu diz que seria trágico se o líder palestino abandonar a negociação por causa de uma questão, segundo ele, essencialmente irrelevante para o possível resultado do processo.

"Haverá muita troca de bolas entre Abu Mazen (nome pelo qual Abbas é conhecido) e a Liga Árabe. Ele vai jogar a bola na quadra da Liga Árabe, dizendo que está buscando cobertura", afirmou um diplomata árabe.

"A Liga Árabe provavelmente emitirá um apelo geral por apoio às negociações de paz, mas deixará muito claro que a decisão específica de continuar as negociações recai sobre Abu Mazen, e não sobre eles."

Cerca de 500 mil judeus vivem nos assentamentos, construídos sem reconhecimento do direito internacional.

Os EUA pressionam Israel a renovar a moratória para facilitar a continuidade do processo de paz, e a imprensa diz que o governo Obama fez reservadamente ofertas generosas em questões de segurança -- até agora em vão -- para tentar convencer Netanyahu a prorrogar a moratória nas obras por mais 60 dias.

(Reportagem adicional de Edmund Blair, de Marwa Awad no Cairo; de Tom Perry e Mohammed Assadi, em Ramallah; e de Joseph Nasr, em Jerusalém)

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