Limitações do acordo nuclear contêm entusiasmo de iranianos

Era uma fábrica próspera e movimentada na cidade histórica iraniana de Isfahan, mas os últimos dois anos de sanções econômicas acabou com o empreedimento da família.

Reuters

03 de dezembro de 2013 | 15h40

O dono Gholam Dolatmardian lutou para levantar os recursos para mantê-lo, mas finalmente sucumbiu ao inevitável, dispensando 100 trabalhadores e fechando as portas.

As possibilidades de retomada desse e de outros milhares de negócios podem estar no acordo nuclear provisório estabelecido na semana passada entre o Irã e potências nucleares. O acordo permite aos iranianos buscar mais contatos no exterior e pode trazer oportunidades econômicas.

No entanto, o entusiasmo iraniano com o acordo tem tido como contraponto a complexidade e a implementação gradual do pacto que alivia o país de restrições a transações bancárias, comerciais e viagens internacionais.

Depois de uma década de impasse, o Irã concordou em fazer cortes na sua atividade nuclear em troca de um limitado alívio nas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados, o que também abre a possibilidade para um acordo mais amplo para terminar com o longo isolamento iraniano.

"Não sei se as sanções vão acabar logo, mas claro que reabrir a fábrica é o meu sonho", afirmou Dolatmardian por telefone. "Era um negócio de família, e eu quero que os meus filhos deem continuidade."

Ele fechou a fábrica de 35 anos em 2011, quando as sanções o impediram de obter crédito. Ele vendeu propriedades para pagar os empregados.

O acordo da semana passada o levou a pensar que o negócio poderia reabrir, mas por enquanto ele enfrenta ainda os mesmos obstáculos para operar no sistema bancário internacional.

A legislação sobre lavagem de dinheiro dos EUA ainda vigora, o que torna difícil para os bancos as relações com o Irã.

Enquanto os empresários sentem que novas oportunidades podem chegar, muitos ainda adotam uma postura de esperar para ver.

(Por Stephen Kalin e Parisa Hafezi)

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