Lista de 140 afegãos mortos em ataque dos EUA tem 93 crianças

Exército americano afirma que não há provas efísivas e que famílias mentem em busca de indenização

Reuters e Associated Press,

13 de maio de 2009 | 10h54

Noventa e três menores de idade estão entre os 140 mortos de um recente confronto entre forças dos Estados Unidos e o Taleban, no oeste do Afeganistão. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, 13, por um parlamentar local, Obaidullah Helali, envolvido nas investigações das mortes.

 

Uma lista das vítimas, com nomes e idades, foi compilada por membros de uma comissão do governo afegão, baseando-se em testemunhos de moradores que disseram que os parentes morreram, segundo Helali, um parlamentar por Farah e membro da equipe investigativa. A chamada "lista de mártires do bombardeio do distrito Bala Boluk da Província de Farah" inclui nome, idade e nome do pai de cada suposta vítima. A vítima mais jovem se chama Sayed Musa e tinha 8 meses de idade. Há 53 meninas menores de 18 anos, e 40 meninos. Só 22 vítimas eram homens com mais de 18 anos.

 

Os corpos foram enterrados antes do início das investigações e não há planos para exumá-los. Não estava claro como a investigação determinou se as pessoas estavam mortas ou tinham fugido da violência. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha confirmou que mulheres e crianças estavam entre as dezenas de mortos. Caso o número afegão esteja correto, este seria o caso com mais mortes de civis desde a invasão liderada pelos EUA para derrubar o Taleban, em 2001.

 

Os militares norte-americanos, porém, contestam os dados. O porta-voz militar coronel Greg Julian lembrou que "não há uma prova física" para referendar a lista. Os militares EUA não revelam o número de pessoas que acreditam que morreu nos confrontos dos dias 4 e 5 nas vilas Gerani e Ganjabad, de Farah.

 

"Bom, eu também poderia lhe dar 140 nomes. O problema é que não há prova desse número de tumbas ... São pessoas reais? Realmente existiram? Eu posso lhe dar uma lista com 53 nomes de meninas e suas idades. Não há certidões de nascimento e não há atestados de óbitos", disse o coronel Greg Julian. "Existem condições que encorajam o exagero. Se você disser que o Taleban matou sua família, não recebe nada. Se você disser que os norte-americanos mataram sua família, você recebe assistência, tenham existido ou não (os parentes dados como mortos)", acrescentou o militar.

 

De acordo com o coronel, os investigadores apresentaram 26 túmulos individuais e uma vala comum que não seria grande o suficiente para conter tantos corpos. Ele estimou que o número total de mortos não tenha superado os 80.

 

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que os ataques "não eram aceitáveis" e estimou o número de civis mortos entre 125 e 130. Membros afegãos de uma delegação investigando o confronto enviaram pagamentos de condolências às famílias das vítimas, nesta terça-feira, segundo o deputado. Os pagamentos, ordenados por Karzai, eram de US$ 2 mil pelos mortos e US$ 1 mil para os feridos.

 

Karzai insiste há tempos para que os EUA evitem mortes de civis em suas operações. Incidentes anteriores geraram críticas do governo, que afirma que esses ataques atrapalham o apoio à luta contra o Taleban. O controverso incidente ocorre quando a administração Barack Obama se prepara para lançar uma nova estratégia para a região, que envolve vincular o sucesso no Afeganistão com a segurança no vizinho Paquistão - militantes do Taleban são ativos na fronteira.

 

Na semana passada, durante visita a Washington do presidente afegão, o presidente dos EUA, Barack Obama, e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, pediram desculpas pelas mortes de civis. Mas Washington recriminou o presidente Hamid Karzai por ter ido à televisão dos EUA pedir o fim dos bombardeios norte-americanos. As autoridades afegãs dizem que esse tipo de incidente ajuda os insurgentes a jogarem a opinião pública contra as forças estrangeiras.

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