Livni avança na corrida pela liderança de Israel

Pesquisas mostram que chanceler teria disputa acirrada com líder da oposição pelo cargo de premiê

Reuters,

01 de agosto de 2008 | 10h27

A ministra de Relações Exteriores israelense, Tzipi Livni, tem o caminho livre dentro do partido Kadima para substituir o primeiro-ministro Ehud Olmert na liderança da legenda, segundo pesquisas divulgadas nesta sexta-feira, 1. Porém, oficiais questionam a habilidade da chanceler em formar uma coalizão para se tornar premiê após Olmert deixar o cargo, em 17 de setembro.   Veja também: Premiê deve deixar o cargo em setembro Saída de Olmert é 'vitória' palestina, diz Hamas Negociação com sucessor será mantida, diz Abbas  Anúncio diminui esperanças de acordo de paz  Desastrado, premiê vê popularidade despencar    Pesquisas dos maiores jornais israelenses mostram que Livni disputaria lado a lado com o líder da oposição e do partido Likud, Binyamin Netanyahu, caso as eleições parlamentares fossem antecipadas, panorama que não favorece o Kadima e seu maior aliado na coalizão, o partido Trabalhista do ministro da Defesa Ehud Barak.   Olmert lançou o país em incertezas políticas ao anunciar que abandonará o cargo assim que o seu partido eleger um sucessor na liderança da legenda nas primárias previstas para setembro. O premiê sofria pressões, algumas de dentro do próprio governo, para renunciar desde que passou a ser investigado por diversas acusações de corrupção, que teriam sido cometidas na época em que ocupou cargos anteriores ao de premiê.   Segundo o jornal israelense Yedioth Ahronoth, que declarou o início da "Batalha da Sucessão", Livni tem dez pontos de vantagem em relação ao seu rival mais próximo, o ministro dos Transportes Shaul Mofaz (18-8%). Outras duas sondagens mostram que Netanyahu deve enfrentar uma disputa mais apertada do que o esperando se Livni liderar o Kadima e disputar eleições gerais. A pesquisa do Yedioth mostrou que Netanyahu, que já foi premiê, teria 30 assentos no Parlamento em comparação aos 29 de Livni. Segundo o Haaretz, Livni teria 26 cadeiras e Netanyahu 25. O diário Maariv dá a Netanyahu clara vantagem, mostrando que se as eleições fossem realizadas hoje, o Likud teria 33 assentos no Parlamento, que tem 120 lugares, e o Kadima com apenas 20.   Oficiais do Kadima questionaram a habilidade de Livni, negociadora de um acordo de paz com os palestinos, em construir uma coalizão para garantir a permanência no governo e evitar a convocação das eleições gerais, previstas para 2010. Um alto membro do Kadima teme que a batalha para suceder Olmert rache o partido.   O ministro da Defesa Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, disse que apóia Livni. Em comunicado nesta sexta, ele afirmou que a legenda considera ingressar na nova coalizão com o Kadima, mas acrescentou: "se for preciso realizar eleições, estaremos prontos".   Ex-primeiro-ministro, Netanyahu, voz crítica das negociações de paz com os palestinos lideradas por Olmert, pode acabar com os planos do Kadima em formar uma aliança se conseguir reunir maioria no Parlamento, formando sua coalizão, ou pressionando pela antecipação das eleições, disputa que pode durar meses.

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