Livni diz que ganharia eleições gerais 'desnecessárias' em Israel

Líder do partido governista articula coalizão e pede que premiê cumpra palavra renúnciar para que ela assuma

Agências internacionais,

19 de setembro de 2008 | 08h56

A nova líder do partido governista Kadima, Tzipi Livni, disse nesta sexta-feira, 19, após sua vitória na quarta-feira nas primárias da legenda em Israel, que também ganharia as eleições gerais se estas fossem antecipadas, algo que considerou "desnecessário".   Veja também: Livni terá que provar resistência política   Livni tem 40 dias para convencer os aliados do Kadima a não deixarem a maioria governante, e permaneçam em um Executivo em cuja chefia ela substituiria o atual primeiro-ministro e também membro do Kadima, Ehud Olmert, que anunciou sua renúncia após envolvimento em vários escândalos de corrupção. Neste sentido, Livni pediu a seu colega de partido que "cumpra sua palavra" e apresente a renúncia, que fontes próximas a Olmert anteciparam que ocorrerá após as festividades do Ano Novo judaico, que acontecem no final deste mês.   "Caso não consiga formar governo, iríamos a eleições gerais, nas quais ganharia", disse Livni, na primeira reunião interna do Kadima que preside como líder do partido. "Não temos que temer uma antecipação das gerais, mas é desnecessário", reiterou a também ministra de Relações Exteriores israelense, que se mostrou convencida de manter a maioria governamental. "Não vejo razão para que se vão os partidos" que integram a coalizão governamental, disse.   Livni já entrou em contato com o ministro da Defesa Ehud Barak, líder do Partido Trabalhista, e também com o ministro da Transportes Shaul Mofaz, que ela derrotou nas primárias de quarta-feira. Se ela conquistar o apoio necessário de partidos menores, se tornará a primeira mulher a governar Israel em 34 anos, após a primeira-ministra Golda Meir. Caso contrário, as eleições gerais de 2010 serão antecipadas para daqui a três meses.   Para evitar essa votação, a chanceler telefonou para Barak e, segundo a versão online do jornal israelense Haaretz, os dois conversaram sobre uma possível cooperação. Há muita rivalidade entre os dois, mas analistas acreditam que é provável que Barak aceite apoiá-la para evitar as eleições, nas quais o partido direitista Likud, liderado pelo opositor Binyamin Netanyahu, poderia voltar ao poder. Ele estaria na frente da disputa para primeiro-ministro, segundo pesquisas recentes de jornais israelenses.   Além de persuadir Barak a manter sua legenda na coalizão, Tzipi também terá de fazer o mesmo com o partido judeu ultra-ortodoxo Shas. A legenda tem 12 dos 120 assentos do Parlamento, o suficiente para selar ou minar a coalizão que a chanceler tenta formar. Atualmente, o Kadima tem 67 cadeiras. Ao contrário de Barak, analistas dizem que é praticamente impossível dizer como atuará o líder espiritual do Shas, o rabino Ovadiah Yosef, que chegou a dizer que o furacão Katrina - que atingiu os EUA em 2005 - era um castigo divino.

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