Livni lidera em Israel, mas eleição está indefinida

A ministra israelense do Exterior, Tzipi Livni, lidera as pesquisas de boca-de-urna depois da eleição de terça-feira, mas a vantagem do seu partido Kadima sobre o Likud é de apenas dois deputados, o que significa que Benjamin Netanyahu também tem condições de se tornar primeiro-ministro. Seu partido Likud deve ter sua votação reduzida, mas disse estar confiante na possibilidade de formar uma coalizão sob o comando de Netanyahu, após as complexas negociações previstas para as próximas semanas. Uma guinada geral do Parlamento para a direita, porém, deve abalar as esperanças do governo Obama, nos EUA, de que uma nova coalizão israelense poderia fazer avanços na direção da paz com os palestinos e outros países árabes. Um resultado apertado na apuração deixará um papel importante nas mãos do presidente Shimon Peres, que teoricamente pode indicar qualquer parlamentar para tentar formar um governo. Tradicionalmente, porém, o indicado sempre é o líder do partido com a maior bancada após a eleição geral. Seja com a centrista Livni ou o direitista Netanyahu, os palestinos disseram não ter esperanças de avanço nas suas reivindicações. Na sede do partido Kadima, os militantes gritavam "Tzipi Livni, rainha de Israel!", enquanto uma tempestade desabava sobre o país. No lado do Likud, o clima era mais desanimado, já que Netanyahu aparecia com amplo favoritismo nas últimas semanas. O partido divulgou nota dizendo ter esperança na possibilidade de formar uma coalizão. "Benjamin Netanyahu será o próximo primeiro-ministro. Uma clara maioria do país rejeitou o jeito do Kadima e dos seus parceiros e adotou o jeito do Likud", disse a nota. "Netanyahu apela a todos os partidos do campo nacionalista que se unam em um governo sob a sua autoridade." Mas, qualquer que seja, o resultado - a ser confirmado provavelmente só durante a quarta-feira - já configura um enorme triunfo para Livni, 50 anos, que tenta se tornar a primeira mulher a governar Israel desde Golda Meir, na década de 1970. Será também um constrangimento para o direitista Benjamin Netanyahu, do Likud, que passou meses como favorito. O Likud parecia rumar para uma vitória tranquila até que o governo do qual Livni participa iniciasse uma ofensiva de três semanas na Faixa de Gaza, o que lhe rendeu apoio popular, apesar da indignação internacional contra a morte de 1.300 palestinos. PESQUISAS Pesquisas divulgadas por três canais de TV mostram que o Kadima se manterá próximo da sua atual bancada de 29 deputados (em um total de 120), com duas cadeiras a mais do que o Likud. Mas alguns analistas lembraram que os soldados, cujos votos podem eleger dois deputados, não foram contados nas pesquisas de boca-de-urna, e podem favorecer Netanyahu. Um canal fez uma divisão entre esquerda e direita, na qual a direita terá 64 cadeiras, contra 56 da esquerda. Isso pode inviabilizar a formação de um gabinete sob o comando de Livni, levando o presidente Peres a convidar Netanyahu para tentar formar uma coalizão. O ministro Yaacov Edri, do Kadima, admitiu que Livni pode ter dificuldades em construir uma coalizão. Mas acrescentou: "Não será fácil, mas o público israelense falou, e (a vencedora) é Tzipi." O partido ultradireitista Yisrael Beiteinu (Nosso Lar É Israel), de Avigdor Lieberman, deve passar dos atuais 11 deputados para 14 ou 15, frustrando seus seguidores, que esperavam até 19. Mesmo assim, o desempenho do partido parece ter afetado o do Likud. Mark Heller, analista estratégico da Universidade de Tel Aviv, disse que o bom resultado para Livni "mostra que muita gente na última hora se assustou com a ideia de Netanyahu ser primeiro-ministro". "Netanyahu sentiu os partidos de direita beliscando seus calcanhares e mudou seu próprio foco para a direita, para evitar (o avanço desses rivais), e portanto perdeu alguns votos no centro." O Partido Trabalhista, do ministro da Defesa Ehud Barak, aparece apenas em quarto lugar, caindo de 19 para 13 deputados, segundo as pesquisas. O partido dos fundadores de Israel, que dominou sua política nas primeiras décadas, é o maior prejudicado com a atual guinada do eleitorado para a direita. (Reportagem adicional de Adam Entous, Joseph Nasr, Ori Lewis, Alastair Macdonald, Jeffrey Heller, Dan Williams, Steven Scheer e Douglas Hamilton em Jerusalém, Wafa Amr em Ramallah e Tova Cohen em Tel Aviv)

ARI RABINOVICH E ALLYN FISHER-ILAN, REUTERS

10 de fevereiro de 2009 | 21h26

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