Livni promete acabar com controle do Hamas em Gaza

'Os meios para realizar isto deveriam ser militares, econômicos e diplomáticos', afirmou a ministra

Reuters e Efe

21 de dezembro de 2008 | 15h27

A ministra das Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, prometeu neste domingo, 21, acabar com o controle do grupo islâmico Hamas na Faixa de Gaza se ela for eleita como primeira-ministra nas eleições previstas para fevereiro. Veja também: Israel ameaça responder a disparos de foguetes de Gaza "O Estado de Israel e o governo tem o objetivo estratégico de derrotar o regime do Hamas em Gaza", afirmou Livni aos membros de seu partido centrista Kadima. "Os meios para realizar isto deveriam ser militares, econômicos e diplomáticos", acrescentou. O Governo israelense se mostrou neste domingo, 21, dividido perante a alternativa de lançar uma operação militar em massa em Gaza ou limitar-se a bombardeios pontuais, após o fim do cessar-fogo com o movimento islâmico Hamas. Na primeira reunião do conselho semanal de ministros desde o fim da trégua na Faixa de Gaza na sexta-feira passada, os membros do Executivo culparam uns aos outros pela atual situação. Nos últimos três dias, as milícias palestinas lançaram mais de 40 foguetes artesanais e bombas. Hoje, um imigrante tailandês ficou levemente ferido em Israel com os estilhaços de uma bomba que explodiu quando ele trabalhava na estufa de um kibutz próximo à Gaza. O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, iniciou o encontro com um discurso que deixava em aberto todas as opções: "Um Governo responsável não tem ânsia de ir à guerra", mas também não elimina essa possibilidade. "As hipóteses, os planos e a determinação estão claras, assim como as ramificações de cada um dos passos", afirmou. Outros membros do Executivo, como o vice-primeiro-ministro Haim Ramon e o ministro de Transportes, Shaul Mofaz, criticaram o que consideram uma falta de atuação do titular da Defesa, Ehud Barak. "É hora de atuar. O que estamos esperando? O que mais tem que acontecer? Esperamos que alguma criança morra ou alguém fique ferido?", questionou Mofaz perante os microfones da rádio militar. Em público, Barak e Olmert pediram moderação a seus colegas. "Não lutarei com as vozes histéricas", disse o primeiro-ministro, que chegou a um acordo com Barak na quinta-feira passada para intensificar a resposta militar, segundo um alto comando do Exército citado hoje pelo jornal Yedioth Ahronoth. A diplomacia israelense preparará agora o terreno nas principais capitais mundiais para uma operação militar de grande escala na Faixa de Gaza, disse uma fonte governamental ao jornal. O debate sobre o lançamento ou não de uma incursão em massa em Gaza se vê condicionado pela proximidade das eleições legislativas, que serão realizadas em 10 de fevereiro. O líder do partido da direita nacionalista Likud e favorito nas eleições, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, defende uma invasão terrestre deste território, controlado pelo Hamas desde junho de 2007. Por outro lado, Barak, líder do Partido Trabalhista, apela para sua experiência acumulada como condecorado militar e aposta no trunfo da moderação para conquistar os votos do eleitorado menos belicista. Israel ainda não fez uma operação de grande escala pela ausência de garantias de que isso interromperá o lançamento de projéteis, a deterioração de sua imagem internacional e as baixas entre seus soldados e civis. O chefe da agência de inteligência interior (Shin Bet), Yuval Diskin, advertiu neste domingo, 21, de que, com os foguetes, o Hamas pode alcançar cidades como Ashdod e Be'er Sheva, situadas a cerca de 30 ou 40 quilômetros de Gaza e completamente alheias a esta ameaça. No entanto, o principal obstáculo de partir para a guerra tem nome e sobrenome: Gilad Shalit. Este jovem cabo franco-israelense se encontra preso em Gaza desde que, em junho de 2006, foi capturado por três grupos armados palestinos, entre eles a milícia do Hamas, que chegaram a Israel por um túnel subterrâneo. Em troca de sua libertação, o Hamas pede que mil dos 11 mil palestinos em prisões israelenses sejam libertados, uma exigência que Israel considera excessiva. O próprio Barak reconheceu em mais de uma ocasião que não houve o lançamento de uma operação terrestre porque colocaria em risco a vida de Shalit. As outras opções do Estado judeu são fazer concessões ao Hamas para prorrogar a trégua ou manter o atual 'status quo' de ataques aéreos pontuais contra os lançadores de foguetes, como o que no sábado matou um membro das Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, o braço armado do Fatah.

Tudo o que sabemos sobre:
Tzipi LivniIraelHamas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.