Livni recomendará antecipação de eleições em Israel

A imprensa israelense informa que a ministra jogou a toalha nas negociações de um novo governo

EFE-AP,

26 de outubro de 2008 | 08h03

A presidente do partido Kadima e titular israelense de Relações Exteriores, Tzipi Livni, recomendará ao chefe do Estado, Shimon Peres, a antecipação de eleições, após fracassar em sua tentativa de formar uma coalizão de governo estável.   Palestinos temem que a decisão ponha as já frágeis negociações de paz em suspenso por meses, até que o pleito ocorra. A votação também poderia abrir caminho para o retorno ao poder do hoje oposicionista  Benjamin Netanyahu, que se recusa a fazer concessões territoriais amplas aos palestinos.   "Não tenho intenções de continuar sendo chantageada, tanto diplomaticamente como no que se refere ao orçamento, e por isso irei a eleições antecipadas", declarou Livni ao jornal Ha'aretz.   As manchetes da imprensa israelense informam que a ministra jogou a toalha na hora de continuar negociando a formação de um Executivo, enquanto os principais editoriais se perguntam se se pode falar de fracasso de Livni, ou pelo contrário, se se trata de uma tentativa de manter, perante o eleitorado, sua imagem de "política irrepreensível", tendo em vista os próximos pleitos.   Livni teme ver prejudicada sua imagem se continuar negociando e cede perante as exigências de partidos como o ortodoxo sefardita Shas, que abandonou as negociações na sexta-feira passada por divergências insolúveis sobre o pacto de governo.   O Partido do Judaísmo Unido da Torá uniu-se ao Shas ao anunciar que também não tinha intenções de integrar uma coalizão de Governo liderada por Livni.   Os ultra-ortodoxos tinham fixado em mais de US$ 1 bilhão de shekels (cerca de US$ 261 milhões) as ajudas do próximo governo às famílias numerosas, um número que o Kadima não estava disposto a pagar pelo apoio do Shas.   O deputado do Kadima Tzachi Hanegbi, argumentou a decisão de Livni ao assinalar que "não está disposta a pagar qualquer preço para formar um governo", informou hoje a rádio pública israelense. Esta decisão significa que as eleições gerais poderiam ser celebradas em Israel entre fevereiro ou março, dois anos antes do previsto.   Livni informou de suas intenções ao chefe do Partido Trabalhista e ministro da Defesa, Ehud Barak, assim como ao líder do partido pacifista Meretz, Haim Oron, com o qual continuava negociando. Também comunicou a presidente do Parlamento israelense (Knesset), Dalia Itzik, e espera-se que esta tarde se comunique oficialmente Peres.   Livni foi eleita no mês passado como chefe do partido Kadima, em substituição do primeiro-ministro, Ehud Olmert, açodado por vários escândalos de corrupção.

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