Livni se diz decepcionada com baixa participação em eleições

Índice de participação nas primárias do Kadima é de 19%; Israel escolhe sucessor do premiê Ehud Olmert

Agências internacionais,

17 de setembro de 2008 | 14h44

A ministra de Exteriores israelense, Tzipi Livni, favorita a liderar o governante partido Kadima, que realiza nesta terça-feira, 17, eleições primárias, se mostrou decepcionada com a baixa participação - em torno de 19% - registrada no pleito. "O índice de participação é insatisfatório. As pessoas deveriam sair e votar", disse, após sair às 16h (10h de Brasília) o último índice de participação eleitoral.   Veja também: Kadima escolhe o sucessor de Olmert Inexperiência é barreira para a popular Livni   Segundo a última pesquisa de opinião publicado na segunda pelo jornal israelense Haaretz, Livni obteria cerca de 47% dos votos, seguida pelo mais direto oponente, o titular de Transportes, Shaul Mofaz, com 27%. O atual primeiro-ministro, Ehud Olmert, investigado em um caso de corrupção, espera apenas o resultado para apresentar a sua renúncia.   De acordo com a edição eletrônica do jornal Yedioth Ahronoth, Mofaz parece estar menos preocupado com o baixo índice de participação, pois acredita-se que tem mais apoio entre grupos organizados da militância de base do partido. "Estas são horas críticas. Concentraremo-nos em nossos esforços por trazer às urnas quantos mais filiados possíveis", disse uma pessoa próxima a Mofaz.   Além disso, os responsáveis da campanha de Livni apresentaram uma queixa à Polícia exigindo que os votos em um centro eleitoral no bairro de Pisgat Ze'ev, em Jerusalém, sejam cancelados. Eles acreditam que houve fraude, depois que um votante admitiu que pagou pessoas ligadas a Mofaz.   Se eleita, Livni, de 50 anos, será a segunda mulher no cargo após Golda Meir, que governou Israel entre 1969 e 1974. Formada em direito, ela foi agente do Mossad - o serviço secreto externo de Israel - e começou na política em 1999, quando foi eleita para o Parlamento. Como chanceler, ela liderou as negociações de paz com os palestinos.   Mesmo se Livni for eleita, poucos arriscam a dar palpites sobre o que ocorrerá após as primárias. Primeiro, porque muitos no Kadima duvidam da habilidade da chanceler em obter apoio de outros partidos para a coalizão. Ela pediu a saída de Olmert depois da publicação de um relatório apontando falhas na guerra contra o Líbano, em 2006. Nem ela nem ele saíram.   O ministro dos Transportes, ex-chefe das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa, tem 60 anos, nasceu no Irã e ficou conhecido por suas duras táticas que acabaram com uma revolta palestina que explodiu depois que as conversações de paz falharam, em 2000. As pesquisas apontam Mofaz em segundo lugar na corrida pelo voto do partido.   Há ainda incertezas sobre a própria força do Kadima, formado há menos de três anos pelo então premiê Ariel Sharon, afastado em 2006 após um derrame e ainda em coma. Assim que o vencedor da eleição for anunciado - provavelmente na quinta -, ele terá 42 dias para obter o apoio da maioria dos 120 parlamentares e formar um novo governo.   Quem é Tzipi Livni   Ministra das Relações Exteriores e chefe das negociações com os palestinos, Livni é vista como a sucessora mais provável de Olmert pelos membros do Kadima. A mulher mais poderosa em Israel desde a primeira-ministra Golda Meir, nos anos 1970, Livni, de 50 anos, pediu a Olmert que renunciasse no ano passado, depois de uma reportagem impiedosa sobre a guerra israelense no Líbano, em 2006. Mas ele não atendeu ao pedido. Nem ela. Filha de um importante sionista de direita, ela é ex-agente de inteligência. As pesquisas de opinião apontam que ela ganhará a votação dentro do Kadima.   Quem é Shaul Mofaz   Ministro dos Transportes, ex-chefe das Forças Armadas e ex-ministro da Defesa, Mofaz é nascido no Irã e conhecido por suas táticas duras contra o levante palestino que aconteceu depois do fracasso nas negociações de paz em 2000. As pesquisas de opinião mostram que ele está atrás de Livni na corrida dentro do Kadima.   (Com The New York Times)

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