Livni vence em Israel, mas Netanyahu pode ser premiê

Resultados preliminares apontam pequena vantagem para governistas, mas disputa deve se estender

Agências internacionais,

11 de fevereiro de 2009 | 07h28

O Kadima, partido da ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, obteve uma apertada vitória na eleição israelense desta terça-feira, ganhando uma cadeira a mais que seu rival de direita Likud, segundo a contagem final dos votos. A comissão eleitoral central de Israel informou que o Kadima ganhou 28 das 120 cadeiras do Parlamento, seguido pelo Likud, do ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Mesmo se a vitória de Tzipi for confirmada, não há garantia que ela será a premiê, já que o bloco de partidos da direita, mais próximos ao Likud, obteve a maioria dos votos. Veja também:Pequena diferença sobre Likud dá ao Kadima vitória em IsraelPróximo governo israelense será 'mais terrorista', diz HamasPerfil: Livni, a 'senhora limpa' da política israelense Perfil: Netanyahu tenta reconduzir direita israelense ao poderEnviado do 'Estado' comenta expectativas Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel Quem tem medo de Avigdor Lieberman? Conheça os principais partidos israelenses  O partido ultranacionalista Yisrael Beitenu (Israel Nossa Casa), de Avigdor Lieberman, ficou em terceiro lugar, com 15 cadeiras, no melhor desempenho de sua história. Já o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, caiu para 13 cadeiras, seu pior desempenho. O partido ultraortodoxo Shas ficou em quinto, com 11 assentos. No sistema político israelense, o partido com maior número de cadeiras não necessariamente lidera o próximo governo, e Netanyahu tem grande chance de se tornar primeiro-ministro graças aos resultados obtidos pelos partidos de direita.  A disputa apertada pelo jogo político na formação das coalizões deve ser intensa e lenta, e deixa em aberto questões como se Livni, negociadora da paz com os palestinos, ou Netanyahu, mas a favor de atitudes drásticas, deve formar o governo. O Likud e a maior parte da direita de Israel são contra um acordo de paz com os palestinos e a criação de um Estado na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Já o Kadima e o Partido Trabalhista defendem uma solução de dois Estados. Com 99% dos votos apurados, o Kadima liderava por pouco a disputa. Analistas políticos acreditam que Netanyahu está em melhor posição que Livni para formar uma coalizão de governo, inclusive sem o Kadima e o Yisrael Beiteinu. Os israelenses acordaram, assim, com a incerteza de não saber quem será seu futuro primeiro-ministro.  Dirigentes políticos começam nesta quarta os contatos para formar um governo. O Parlamento israelense (Knesset) é constituído de 120 cadeiras e um complexo sistema parlamentar obriga os aspirantes a premiê a formar coalizões com outras legendas. A priori, o líder do Likud (27 cadeiras), Benjamin Netanyahu, poderia desfrutar de uma maioria mais estável em comparação com o Kadima (28), de Tzipi Livni. Há três saídas para Livni obter a maioria, segundo analistas. A primeira seria negociar com o partido religioso Shas. Os judeus ortodoxos do Shas saíram da eleição mais fracos do que estavam em outubro, quando se recusaram a fazer uma coalizão com o Kadima, levando à convocação de eleições. O problema é que o Shas é contra a concessão de território aos palestinos. O Israel Beiteinu, de Lieberman, seria a segunda opção. Sua plataforma é hostil aos árabes-israelenses, mas ele aceitaria abrir mão de territórios para os palestinos. Para incluí-lo na coalizão, Livni teria de convencer os partidos de esquerda Meretz e Hadash a aceitar a aliança com os ultranacionalistas.  Netanyahu deve se reunir esta tarde com o dirigente do partido judeu ortodoxo sefardita Shas, Eli Yishai, cuja legenda obteve 11 deputados, para analisar as possibilidades de que a formação religiosa se junte a uma eventual coalizão de governo. Aliado com os partidos simpáticos a sua ideologia, o líder do Likud tem possibilidade de formar uma coalizão de 65 deputados, enquanto Livni só reuniria 55. A terceira legenda mais votada nas eleições de ontem, com 15 cadeiras, foi a ultradireitista Yisrael Beiteinu (Israel é Nosso Lar), liderada por Avigdor Lieberman. O partido convocou uma reunião para o início desta tarde para estudar a quem se unirá na formação de governo. A rádio pública israelense disse que fontes do partido Kadima descartaram a possibilidade de se juntar ao Likud para formar uma coalizão de governo, o que incluiria um Executivo cuja liderança dividiriam Livni e Netanyahu - cada um dois anos dos quatro da legislatura -, uma opção que tinham apontado alguns analistas. De madrugada, a líder do partido centrista pediu a Netanyahu que forme um governo de união nacional sob sua direção, após saber de madrugada os primeiros resultados das eleições.

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