Londres pode reconsiderar asilo a homossexual iraniano

Secretária do Interior diz que caso pode voltar a ser analisado assim que Mehdi Kazemi voltar ao Reino Unido

Agência Estado e Associated Press,

14 de março de 2008 | 11h40

O governo britânico anunciou nesta sexta-feira, 14, que está reconsiderando a decisão de negar asilo a um jovem homossexual iraniano. O rapaz argumenta que, caso volte ao seu país de origem, corre risco de morte. Mehdi Kazemi, de 19 anos, dependia do governo do Reino Unido depois de ver seu pedido de asilo negado pela Holanda.   Kazemi diz que viajou para Londres para estudar inglês, em 2005, e pediu asilo depois de descobrir que seu parceiro no Irã havia sido executado por sodomia. De acordo com os documentos de seu pedido de asilo, Kazemi afirma ter sido identificado pelo parceiro durante um interrogatório conduzido pelas forças iranianas de segurança. Após ter sua solicitação de asilo negada pelas autoridades britânicas, ele voou para a Europa continental e solicitou asilo na Holanda.   A secretária de Interior do Reino Unido, Jacqui Smith, anunciou a decisão na quinta-feira: "Após as representações feitas por Kazemi, e à luz das novas circunstâncias desde a decisão original ter sido tomada, decidi que o caso do senhor Kazemi deve ser reconsiderado após seu retorno ao Reino Unido", disse ela. Kazemi ainda está na Holanda e não foi fixada nenhuma data para ele voltar para Londres.   No mesmo dia, o assunto foi tratado na Câmara dos Lordes. O lorde Alli, que é muçulmano e homossexual, disse que há muitas razões para aceitar o pedido do jovem iraniano. "Primeiro, o homossexualismo é ilegal no Irã e passível de punição com a morte. Em segundo, o parceiro desse rapaz foi enforcado muito jovem simplesmente por ser gay. Em terceiro, a posição da Secretaria de Interior é que os gays podem retornar para o Irã em segurança, contanto que sejam discretos. Sabe-se lá o que isso quer dizer", disse Alli.   Já o lorde Bassam, falando em nome da Secretaria de Interior, disse que o governo não iria deportar pessoas caso isso não fosse seguro. "Diria que nós somos extremamente cautelosos sobre como realizamos os retornos, e esse modo de agir se mostrou muito eficiente no passado", argumentou Bassam.

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