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Lula diz que não intercederá por iraniana condenada a apedrejamento

Presidente disse que não pode tentar interferir em leis, sobretudo quando são de outro país

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S. Paulo,

28 de julho de 2010 | 20h30

BRASÍLIA- Em defesa do sistema penal iraniano - que admite a morte por apedrejamento de mulheres adúlteras - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 28, que não apelará à sua boa relação com seu colega do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para tentar impedir que a pena de apedrejamento ditada contra uma mulher iraniana acusada de adultério seja cumprida. Lula disse que haverá "avacalhação", caso sejam atendidas solicitações desse tipo a cada indignação internacional.

 

Questionado sobre a campanha "Liga, Lula", que pede na rede social Twitter que o governante interceda pela mulher, Lula respondeu que "um presidente não pode estar na internet atendendo todos os pedidos que chegam de outro país".

 

"É preciso tomar muito cuidado porque as pessoas têm leis e regras, as pessoas, sabe (sic), se começar a desobedecer às leis deles para atender aos pedidos dos presidentes, daqui a pouco há uma avacalhação", afirmou. "Um presidente da República não pode ficar na internet atendendo a todo pedido que alguém pede de outro país." O presidente ressaltou, no entanto, que acha que nenhuma mulher deveria ser apedrejada por conta de traição.

 

"Pessoalmente, não acho que uma mulher tenha que ser apedrejada por adultério", disse Lula, embora tenha deixado claro que não pretende usar sua relação com Ahmadinejad para clamar pela vida da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

 

A mulher foi considerada culpada de ter "relações ilícitas" com dois homens em 2006 e desde então permaneceu na prisão, o que deu lugar a várias campanhas internacionais em favor de sua libertação e da anulação da condenação de apedrejamento.

 

Segundo o Guardian, outros 15 iranianos aguardam a execução por apedrejamento. Um grupo de ativistas, o Irã Solidário, está organizando uma série de protestos no próximo sábado, 24, em apoio a Sakineh.

 

Cuba

 

Em março passado, Lula pediu respeito às decisões do governo de Cuba e condenou o uso da greve de fome por dissidentes como instrumento para que eles sejam soltos, comparando-os a criminosos comuns. "Temos de respeitar a determinação da Justiça e do governo cubanos. A greve de fome não pode ser um pretexto de direitos humanos para liberar as pessoas. Imagine se todos os bandidos presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade", afirmou na ocasião.

 

Segundo Lula, o governo brasileiro engajou-se na libertação da professora universitária francesa Clotilde Reiss, detida no Irã, porque houve um pedido do presidente Nicolas Sarkozy. Lula também citou casos em que o governo pediu a libertação de brasileiros na Indonésia e na Síria.

 

Em um vídeo de um minuto e trinta segundos, que pode ser visto no YouTube e virou assunto de discussão no twitter e outras esferas do mundo virtual, a atriz Mika Lins comenta os casos de apedrejamento no Irã, destacando o caso de Sakineh Ashtiani. "Eu conheço a voz poderosa de um brasileiro, uma voz tão influente e talvez a única que consiga dialogar com o presidente iraniano. Liga, Lula", diz. "Você é próximo do presidente de lá, não custa tentar." Uma campanha contra o apedrejamento de mulheres iranianas reúne mais de 544,460 assinaturas no site www.avaaz.org/po/stop_stoning.

 

Com agência Efe

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