Maioria dos israelenses apoia limitação do trabalho de ONGs e jornalistas

Segundo pesquisa, maioria dos judeus acredita que liberdade de expressão é excessiva

EFE

28 de abril de 2010 | 09h32

JERUSALÉM - A maior parte dos israelenses judeus são partidários da restrição do trabalho de ONGs humanitárias que mostrem o comportamento do Estado judaico como imoral e consideram que a liberdade de expressão é excessiva, revela um estudo recente.

 

A pesquisa, elaborada pelo Centro Tami Steinmetz para a Pesquisa sobre a Paz, da Universidade de Rel Aviv, e cuja parte de seu conteúdo foi adiantada nesta quarta-feira, 28,  pelo jornal "Haaretz", será apresentada durante está semana em uma conferência que aborda os limites da liberdade de expressão.

 

Os autores da pesquisa entrevistaram 500 israelenses judeus que, afirmam, podem ser considerados uma mostra representativa da sociedade adulta judia do país.

 

Entre os dados da pesquisa é destacado que 57,6% dos entrevistados creem que as organizações de direitos humanos que expõem condutas imorais praticadas por Israel não devem ser autorizadas a trabalhar livremente.

 

A isso, se soma que mais da metade está de acordo em considerar que "há demasiada liberdade de expressão" no país.

 

Outros 82% se mostram partidários de impor duras sanções àqueles que divulgam informações obtidas de forma ilegal e que exponham algum tipo de conduta moral desenvolvida pelo aparato de defesa do país, situação que se deu no caso da jornalista Anat Kadam, acusada de publicar e divulgar informações à mídia obtidos quando cumpria o serviço militar obrigatório.

 

Praticamente todos os entrevistados, 98%, consideram que a liberdade de expressão é importante.

 

Entretanto, no que diz respeito às ONGs e seu direito de trabalhar de forma livre, as respostas variam em função da filiação política dos entrevistados.

 

Dessa maneira, dos que se declaram partidários da direita, 76% acreditam que se deveria restringir o direito de publicar livremente qualquer tipo de notícia sobre condutas imorais de Israel.

 

A pesquisa mostra que 65% dos entrevistados pensam que não se deve permitir à mídia israelense que se publique noticias que os organismos de defesa considerem perigosos à segurança do Estado, mesmo que a informação seja divulgada no exterior.

 

Outros 43% consideram que a mídia não deveria publicar notícias confirmadas por fontes palestinas que pudessem refletir ações negativas realizadas pelo exército israelense, ao mesmo tempo que 58% rechaça a publicação de duras críticas feitas contra Israel, um aumento de 10% em comparação à 2003.

 

Daniel Bar-Tal, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Tel Aviv e um dos organizadores da conferência afirmou que "os israelenses têm um percepção distorcida da democracia. A população reconhece a importância dos valores democráticos, mas quando estes devem ser postos em prática, se percebe que grande parte das pessoas é na verdade antidemocrática."

 

Outro participante do encontro, David Newman, da Universidades de Ban Gurión, qualificou os resultados da pesquisa como "muito preocupantes" e manifestou que houve uma diminuição da liberdade de expressão nos últimos anos.

 

"Dizemos que Israel é a única democracia do Oriente Médio, mas na Europa estão começando a pensar o contrário sobre nós", lamentou o acadêmico.

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