Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Estadão Digital
Apenas R$99,90/ano
APENAS R$99,90/ANO APROVEITE

Mais de mil palestinos já morreram em Gaza, dizem médicos

Famílias buscam lugares para enterrar as vítimas; população faz enterros em antigos túmulos por falta de espaço

Agências internacionais,

14 de janeiro de 2009 | 12h28

A ofensiva israelense na Faixa de Gaza já matou mais de mil palestinos, segundo afirmou nesta quarta-feira, 14, Muawiya Hassanein, chefe de serviços médicos do território.  Mais de duas semanas desde o início dos combates, os cidadãos de Gaza se esforçam para encontrar lugares para enterrar seus mortos. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) confirmou ainda que mais de 300 crianças foram mortas e outras 1.500 feridas nos confrontos. Mais de 4.580 pessoas ficaram feridas desde 27 de dezembro, quando Israel lançou uma operação contra o Hamas, grupo militante islâmico que controla a Faixa de Gaza. A intenção declarada de Israel é interromper o lançamento de foguetes em seu território.   Veja também: Bin Laden pede guerra santa contra Israel na Faixa de Gaza Secretário da ONU volta a pedir cessar-fogo  Norte de Israel é atingido por foguetes do Líbano Correspondente do "Estado" fala da 3ª semana do conflito Aumenta suspeita do uso de armas ilegais no conflito em Gaza Conflito em Gaza vira guerrilha urbana  Secretário-geral da ONU apela por trégua Especial traz mapa com principais alvos em Gaza  Linha do tempo multimídia dos ataques em Gaza  Bastidores da cobertura do 'Estado' em Israel  Conheça a história do conflito entre Israel e palestinos   Veja imagens de Gaza após os ataques      Os cemitérios na Cidade de Gaza que estavam fechados para novos funerais foram reabertos, e moradores procuram túmulos de parentes para sepultar os novos mortos. Nesta quarta-feira, 14, a força aérea israelense bombardeou um dos cemitérios - o superlotado Sheik Radwan, na Cidade de Gaza -, lançando partes de cadáveres para as casas vizinhas e explodindo as sepulturas. "Gaza é toda um cemitério", afirmou o coveiro Salman Omar.   Em um território de cerca de 15 quilômetros de largura por 40 de extensão, Gaza sempre sofreu com a falta de espaço para enterrar os mortos. Porém, os palestinos afirmam que a ofensiva aérea e terrestre de Israel tornou impossível o acesso ao Cemitério dos Mártires, o único na região que ainda possui vagas para os túmulos. Israel afirma que lançou a operação para acabar com o lançamento de foguetes do grupo militante Hamas contra o sul do país. Porém, oficiais médicos palestinos afirmam que mais da metade dos mil mortos são civis.   Foto: AP   Depois do bombardeio, os moradores recolheram as partes dos corpos e as depositaram na cratera aberta onde estavam cerca de de 30 túmulos. Várias lápides foram destruídas durante o ataques. O Exército de Israel afirma que bombardearam depósitos de armas nos arredores do cemitério e uma plataforma de lançamento de mísseis. Os danos provocados no local teriam sido provocados por explosões secundárias, provocadas pelos armamentos atacados, apontaram os militares.   Entre os mortos estão os primos Samouni - o bebê de cinco meses de idade Mohammed, o menino de 1 ano Mutasim e o de 2 anos Ahmed -, cuja família correu para enterrá-los no túmulo de uma tia na semana passada. Os três garotos foram mortos no ataque em que a ONU afirma que soldados israelenses atacaram uma casa onde estavam abrigados os civis levados pelos militares de uma região bombardeada. Cerca de 30 pessoas morreram na ação, e médicos acreditam que existam mais vítimas nos escombros, já que estão impedidos de acessar o local por conta dos enfrentamentos na região.   Crise humanitária   O filho de 10 anos de Etaf Abdel-Rahman passou quatro horas numa fila para conseguir oito pãezinhos, insuficientes para alimentar as 15 pessoas que se aglomeram no apartamento dela em Gaza. Todos os dias, quando Israel faz uma pausa de três horas nos seus ataques, muitos palestinos correm às mercearias e padarias para tentar se abastecer. Mas agentes humanitários internacionais dizem que grande parte da população teme sair às ruas e enfrenta uma grave escassez de mantimentos.   Muitos mercados estão vazios, e as mercearias no populoso bairro de Al Nasser, no centro da Cidade de Gaza, têm apenas limões e cebolas para vender, contou Abdel Rahman, 50 anos, por telefone. Carne, frango, legumes e frutas são produtos escassos, e os preços dispararam devido ao conflito, de acordo com ela. "Estamos sem eletricidade há 14 dias consecutivos. Durante o curto período do cessar-fogo, as pessoas correm para o hospital Shifa ou para as mesquitas que têm gerador, para carregar seus celulares."   Barbara Conte, porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, uma das agências da ONU que presta assistência alimentar aos palestinos, disse que é dificílimo distribuir a ajuda, porque as pessoas têm medo de ir até os centro de entrega. "Por isso apelamos por um cessar-fogo imediato", disse ela. A Faixa de Gaza vive sob sanções internacionais contra o grupo islâmico Hamas, que controla o território, e sob um rígido bloqueio econômico por parte de Israel. O contrabando de mantimentos através de túneis vindos do Egito preenche parte das necessidades, junto com a ajuda humanitária oficial, mas a ofensiva israelense, iniciada em 27 de dezembro, praticamente interrompeu a rota de abastecimento.   As autoridades dizem que a pausa diária de três horas, adotada por Israel na semana passada, é insuficiente para permitir a distribuição da ajuda humanitária. Israel autoriza a entrada de alimentos, remédios e outros itens essenciais em caminhões das agências humanitárias, mantendo a prática habitual desde o fim da ocupação do território, em 2005. John Ging, diretor de operações da UNRWA (outra agência da ONU) em Gaza, disse que cerca de cem caminhões entram por dia em Gaza, mas que isso é insuficiente para alimentar 1,5 milhão de habitantes do território. Ging disse que seriam necessários 500 caminhões diários.   Matéria atualizada às 13h50.

Tudo o que sabemos sobre:
Faixa de GazaHamasIsraelpalestinos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.