Mais ministros abandonam o gabinete iraquiano

O governo iraquiano de unidade nacional afundou ainda mais na crise nesta segunda-feira, 6, quando quatro ministros de orientação laica abandonaram uma reunião do gabinete, menos de uma semana depois do afastamento do principal bloco sunita.Um total de 17 ministros, quase metade do gabinete do premiê, Nuri Al Maliki, já renunciou ou está boicotando as reuniões num momento em que o governo está muito pressionado pelos EUA a demonstrar sinais de progresso no processo de reconciliação no conflito sectário."Ainda estamos no governo, mas estamos boicotando as reuniões do gabinete", disse o ministro dos Direitos Humanos, Wijdan Michael, um dos quatro ministros do partido laico do ex-primeiro-ministro interino Iyad Allawi.Maliki embarca na terça-feira para a Turquia e o Irã dando claros sinais de que está perdendo o controle sobre seu governo.Em Bagdá, diplomatas dos EUA e do Irã mantiveram a primeira reunião de uma subcomissão criada para buscar a segurança do Iraque. A criação dessa subcomissão foi o principal resultado dos inéditos contatos deste ano entre autoridades dos dois países, inimigos há quase 30 anos, mas interessados em evitar uma guerra civil total no Iraque."É um canal de comunicação estabelecido e vamos ver no futuro se vai ou não ser um canal de comunicações útil", disse Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado, a jornalistas em Washington. Um funcionário da embaixada dos EUA qualificou a primeira reunião, que durou quatro horas, como "franca e séria".Os EUA acusam o Irã de colaborar, inclusive com armas, com milícias xiitas iraquianas que combatem as forças norte-americanas. O Irã rejeita a acusação e atribui a violência no Iraque à ocupação iniciada por Washington em 2003.Um militar dos EUA disse na segunda-feira que o Irã treinou alguns dos militantes xiitas responsáveis por mais de 70 por cento dos ataques a tropas dos EUA em Bagdá no mês passado.O programa nuclear iraniano, outro grave motivo de atrito entre os dois países, não será discutido nas reuniões de Bagdá.Também na segunda-feira, um caminhão-bomba matou pelo menos 33 pessoas dentro de suas casas, numa zona muito habitada de Bagdá.(Reportagem adicional de Mussab Al-Khairalla, Paul Tait e Ross Colvin em Bagdá e Parisa Hafezi em Teerã, e redação de Washington)

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