Mais um monitor pode deixar missão na Síria

Um monitor desse da Liga Árabe disse nesta quarta-feira que pode deixar a equipe de observadores da Liga Árabe na Síria, porque a missão está se revelando ineficaz em acabar com a violência contra os civis.

LIN NOUEIHED, REUTERS

11 de janeiro de 2012 | 22h34

A ameaça monitor revela as divisões que existem a respeito da frágil missão destinada a avaliar a adesão do governo sírio a um acordo de paz que prevê o fim da violência contra manifestantes e o início de um diálogo com a oposição.

Na terça-feira, o observador argelino Anwar Malek disse à TV Al Jazeera que deixaria a Síria por considerar a missão "uma farsa". A oposição síria já havia criticado a presença dos monitores, alegando que eles são ineficazes e ajudam o presidente Bashar al-Assad a ganhar tempo.

Nesta semana, um ataque aos monitores na cidade portuária de Latakia deixou 11 pessoas ligeiramente feridas, e levou a Liga a adiar o envio de novos observadores à Síria, onde há atualmente 165 monitores estrangeiros. Um segundo afastamento abalaria ainda mais a credibilidade do grupo.

Questionado sobre se concordava com Malek a respeito do fracasso da missão, o monitor disse: "É verdade, é verdade. Até eu estou tentando ir embora na sexta-feira. Vou para o Cairo ou outro lugar ... porque a missão não está clara... Ela não serve aos cidadãos, não serve para nada".

Falando por telefone da Síria e pedindo anonimato, o monitor disse que "as autoridades sírias têm explorado a fraqueza na atuação da delegação para não responder, não há uma resposta real no terreno."

"O aparato militar ainda está presente até nas mesquitas. Pedimos que o equipamento militar fosse retirado da mesquita de Abu Bakr al-Siddiq, em Deraa, e até hoje não retiraram".

A missão da Liga Árabe iniciou suas atividades em 26 de dezembro. Os protestos pela renúncia de Assad, iniciados há dez meses, são reprimidos duramente pelo governo, e segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) mais de 5.000 pessoas já morreram.

(Reportagem adicional de Ayman Samir, no Cairo; e de Alistair Lyon, em Beirute)

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