Maliki acusa Al Qaeda e partido socialista de atentados

O primeiro-ministro do Iraque afirmou que é necessário revisar das medidas de segurança do país

Efe,

19 de agosto de 2009 | 16h27

As Forças de Segurança iraquianas e o primeiro-ministro do país, Nouri al-Maliki, acusaram a rede terrorista Al Qaeda e os "restos" do partido socialista Baath de Saddam Hussein de estarem por trás dos atentados que deixaram 95 mortos nesta quarta-feira. Em comunicado, Maliki afirmou que seria necessário fazer uma revisão das medidas de segurança no país. "Os ataques criminosos de hoje exigem, sem a menor dúvida, reavaliar nossos planos e mecanismos de segurança para enfrentar os desafios terroristas", afirmou horas depois dos atentados.

 

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Em entrevista à emissora de televisão "Al-Iraquiya", o porta-voz do Plano de Segurança para Bagdá, general Qassim Atta al-Moussawi, acusou de terem orquestrado os ataques a Al Qaeda e seguidores do partido Baath, no poder no Iraque durante a ditadura de Saddam Hussein. "A aliança entre a organização Al Qaeda e os grupelhos do Baath está por trás desses ataques", afirmou o porta-voz. Moussawi acrescentou que as forças de segurança realizam uma investigação para descobrir as causas desta falha registrada no âmbito da segurança.

 

O pior dos ataques ocorreu após a explosão de um caminhão-bomba colocado em frente do Ministério Assuntos Exteriores, em uma ação que matou pelo menos 47 pessoas e feriu mais de 200. O ministério fica perto da fortificada Zona Verde de Bagdá, que conta com um esquema de segurança rígido, já que abriga prédios do Governo e várias Embaixadas, entre elas a dos Estados Unidos. Quatro andares inteiros do prédio do ministério ficaram totalmente destruídos e mais de 60 carros foram incendiados.

 

Outro atentado similar ocorreu em frente ao Ministério das Finanças, na zona de Bab al-Muazzam, no centro de Bagdá, onde 28 pessoas morreram e outras 180 ficaram feridas.

 

Um tenente-coronel da Polícia, que não quis se identificar, disse à Agência Efe que esta onda de atentados é para enviar uma mensagem dos grupos armados que informa que ainda estão presentes de que podem cumprir seus planos de violência quando quiserem. Para ele, o atentado que aconteceu perto do Ministério de Exteriores significa que houve uma distração nas tarefas de vigilância ou que os agressores tinham a cumplicidade de alguém, já que no local há muitos controles policiais. O agente disse que era provável que o motorista do caminhão-bomba que explodiu no local tivesse a documentação necessária para atravessar sem problemas os postos de controle.

 

Outros ataques ocorreram de forma quase simultânea em bairros do leste e oeste da capital iraquiana, e deixaram dezenas de vítimas, entre mortos e feridos.

 

Uma testemunha, identificada como Alaa Abdul Karim, afirmou à Efe que a onda de explosões que atingiu a capital levantou colunas de fumaça preta e poeira. "Hoje foi um dia negro para Bagdá. Onde estão os corpos de segurança?", questionou Abdul Karim, que acrescentou que após os atentados as ruas ficaram vazias.

 

Após as explosões, as forças de segurança adotaram medidas de segurança rígidas e fecharam algumas avenidas para permitir a passagem das ambulâncias e da Polícia e interceptar possíveis terroristas.

 

O chefe do departamento de luta antiterrorista, general Jihad al-Jaberi, revelou que os agentes conseguiram desativar a carga de uma tonelada de explosivos que estava em um caminhão de grande porte no bairro de Al-Salihiya, perto do hospital Ibn al-Bitar, também próximo ao Ministério de Exteriores.

 

A Polícia informou que os agentes conseguiram deter dois supostos "umara" (chefes) da Al Qaeda quando dirigiam um automóvel carregado com explosivos na área de Al-Mansur, no oeste de Bagdá.

 

EUA e ONU

 

O Governo dos Estados Unidos condenou firmemente a onda de atentados terroristas em Bagdá. "Os EUA condenam energicamente os atentados coordenados desta manhã contra instituições do Governo em Bagdá", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly.

 

"Um atentado contra uma delegação diplomática e contra todos aqueles que trabalham para estabelecer relações pacíficas por meio do diálogo e da diplomacia é um ataque contra toda a comunidade internacional", disse o porta-voz em sua entrevista coletiva diária.

 

Kelly sustentou também que estes atentados terroristas "são uma tentativa de sabotar" o processo democrático e de estabilização do país, no qual as instituições iraquianas e as forças de segurança trabalham duramente. "Achamos que (esses atentados) não vão deter os iraquianos em seus esforços para criar uma sociedade pacífica e próspera", acrescentou.

 

Por enquanto, os EUA não têm informações precisas sobre a autoria dos atentados. As forças de segurança iraquianas acusaram a rede terrorista Al Qaeda de estar por trás desta onda de violência.

O porta-voz falou que, a julgar por atentados anteriores, "este tipo de ataque coordenado possui o selo das atividades da Al Qaeda".

 

O Conselho de Segurança das Nações Unidas também condenou a sucessão de atentados que causou a morte de pelo menos 95 pessoas em Bagdá e deixou outras 597 feridas, na maior série de ataques no país este ano. Os 15 membros do órgão ressaltaram, em uma declaração, que "esta tragédia" se produz no sexto aniversário do atentado contra a sede da ONU em Bagdá, no qual morreu o representante do organismo no Iraque, Sérgio Vieira de Mello.

 

"O Conselho de Segurança aproveita esta triste ocasião para reiterar o firme respaldo e apreço ao trabalho humanitária da ONU e seus funcionários no Iraque", diz o texto, que foi lido no fim da uma reunião pelo presidente rotativo do órgão, o embaixador britânico John Sawers.

 

O documento também adverte que "nenhum ato de terrorismo pode causar um retrocesso no caminho para a democracia, para a paz e para a reconstrução do Iraque, apoiado pelo povo, pelo Governo do Iraque e pela comunidade internacional".

 

O Conselho ressalta a obrigação de todos os países de ajudarem na luta contra o terrorismo, assim como de levar à Justiça os responsáveis pelos ataques realizados hoje na capital iraquiana.

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